sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Marcas do Eterno




Antes de você entrar na minha vida
De se decidir por mim
Por minha história
Haverá de ter clareza de saber bem
Quem eu sou
Pra depois não me dizer
Ter se enganado

Eu não posso ser o que você quiser
Sou bem mais do que os seus olhos
Podem ver
Se quiser seguir comigo
Eu lhe estendo a mão
Mas não pode um só momento
Se esquecer

Sou consagrado ao meu Senhor
Solo sagrado eu sei que sou
Vida que o céu sacramentou
Marcas do eterno estão em mim

Antes do seu amor chegar
Um outro amor já me encontrou
E me envolveu com tanta luz
Que já não posso me esquecer

Se mesmo assim quiser ficar
Seja bem vindo ao meu lugar
À este coração que resolveu
Plantar-se inteiro em Deus
E hoje não quer mais se aprisionar

Eu lhe peço que me ajude
A ser mais santo
Que por vezes me esqueça no meu canto
É que a minha santidade
Necessita solidão
Só assim minha presença
É mais saudável

Não me peça o que de mim
Pertence a Deus
Nem dê mais do que eu preciso receber
Ser amado em excesso
Faz tão mal quanto não ser
Eu lhe peço que me ajude a ser de Deus

Pe. Fábio de Melo



*...E quem quiser entrar na minha vida, deve saber, antes de tudo, que um outro amor já havia me encontrado: o amor de Deus. Portanto, ao se aproximar, tire as sandálias dos pés. (Claudiana Soares)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Filhos


"Quando, seu moço, nasceu meu rebento não era o momento dele rebentar"
(Chico Buarque)


Há algum tempo eu me imaginei mãe, daí fiz planos, coisa que vejo importante quando a decisão é ter um filho. Não deu certo. Planos ao ralo, que levaram junto a vontade e os sonhos. Desde então passei a não mais imaginar a vida com filhos e a lembrar do poeta que diz "filhos, melhor não tê-los. Mas, se não temos, como sabemos".
São as escolhas. E eu escolhi não saber.
Talvez seja melhor assim.
Talvez eu me arrependa e daqui há um tempo me sinta só.
Bom, enfatizo a decisão de não ter e penso que uma decisão como essa, pensada, elaborada, programada, converge para o desencontro com a canção Meu Guri, do Chico.
É que tenho visto tanto absurdo no mundo! Tantos filhos deste Brasil que, quando não são abortados antes de virem ao mundo, são abortados um pouco depois de "viverem", graças às mazelas sociais. Pensador musicou o fato uma vez.
Indigna-me quem não nasceu pra ser mãe, mas insistiu em por filho no mundo. E vai empurrando com a barriga uma missão divina, deturpando e destruindo a imagem materna. Idealizada sob a forma de pureza, de amor incondicional, de sofrimento compensado.
Indigna-me presenciar a história de uma mãe que passa a semana inteira trabalhando e quando chega em casa, olha pro filho de 1 ano de vida chorando e diz: "tu só pode ser fresco! Seu viado! Homem não chora!"
Por ignorância (em todos as semânticas que a palavra denota) essa mulher desconhece efeitos psicológicos que sofrerá ela e a pobre criatura. Não bastasse viver em um ambiente nocivo como aquele, ela não se esforça para fazer diferente, para oferecer amor.
Ser mãe é renunciar, é 100% amar, é "germer sem sentir dor", padecer no paraiso, e todos os outros jargões, chavões, etc, etc, etc.
Pras coisas mais elementares da vida o planejamento é obrigatório. Planejar um filho não é o mesmo que planejar ter um carro. É uma vida posta ao mundo sob seu sempre cuidado, zelo, conselho, carinho, desprendimento. É um pedaço seu, uma parte sua que não pode ser negligenciada de nenhuma forma. É uma extensão da sua vida que leva seu sobrenome, seus traços, seu sangue.
Ter um filho é ter a oportunidade de renascer naquela semente que germinou, e que deu fruto. Um fruto que deve amadurecer sob os seus cuidados, pra que você tenha a linda chance que (re)colhê-lo dá arvore da vida.
Clau Soares

Descrição

Mentir solidão é uma maneira estranha de ser só. É mais uma forma de se conceber a hipocrisia.

Meia toalha no chão e três gotinhas no teto
Formas plásticas em laranja e verde que se completam sem querer
Uma infinidade de cheiros essencialmente necessários
Olfativamente saciáveis, fisicamente importantes
Uma cama para mais de um e que quase nunca é usada por dois
Um sacerdote que acalma, aconselha e que orienta o dia
Um laranja vibrante que impede os olhares curiosos, mas que perdeu sua verdadeira função
Trilhas sonoras que têm o poder de significar
Livros, muitos, tantos. Todos com a capacidade de devolver as origens, os sonhos, os desejos velados, mas verbalizados aos quatro cantos
Cheio de números,na parede, ele me diz que não posso perder o tempo, que é curto, e que uma volta inteira não é suficiente pra todas as vontades
Uma máquina que representa a preguiça e evita o contato com o produto que corrói a pele
Muitas caixas, uma infinidade de coisas dispersas, (des)necessárias
Roupas sujas, roupas limpas, sandálias, bolsas. Coisas de uma mulher normal
O necessário DVD para os caolhos do fim de semana e, claro, a TV. Sem ela, nada feito
O desnecessário microondas, que em tempos de dieta fica às moscas
Coisas que se completam sem me completar
Mas o que eu não quero. Ah, o que eu não quero...
É que ninguém se perca ao entrar no meu infinito particular! Pois “minha solidão não tem nada haver com a presença ou ausência de pessoas. Detesto quem me rouba a solidão, sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia”.

Clau Soares

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Arvoreando

Uma das coisas que eu acho fascinante em Jesus, é a capacidade que ele tinha de encontrar no meio da multidão, pessoas.
Ele era capaz de reconhecer em cima de uma árvore um homem, e descobrir nele um amigo.
Bonito uma amizade que nasce a partir da precariedade, quando você chega desprevenido, o outro viu o que você tem de pior, e mesmo assim, ele se apaixonou por você. Amor concreto, cotidiano, diário.
Jesus se apaixonava assim pelas pessoas e as tornava suas amigas. As trazia para perto Dele.
É fascinante olhar para a capacidade que esse homem, que esse Deus tem, de investigar a miséria do outro e encontrar a pedra preciosa que está escondida. Isso é Páscoa, isso é ressurreição. É quando no sepulcro do nosso coração, alguém descobre um fio de vida, e ao puxar esse fio, vai fazendo com que a gente se torne melhor.
Não há nada mais bonito do que você ser achado quando você está perdido.
Não há nada mais bonito do que você ser encontrado, no momento que você não sabe para onde ir e não sabe nem onde está...
O amor humano tem a capacidade de ser o amor de Deus na nossa vida por causa disso: porque ele nos elege!
Por isso que é bom termos amigos, porque na verdade, as pessoas amigas antecipam no tempo, aquilo que acreditamos ser eterno...
Quando elas são capazes de olhar para nós e descobrir o que temos de bonito. Mesmo que isso, as vezes costume ficar escondido por trás daquilo que é precário.
Por isso agradeço muito a Deus pelos amigos que tenho. Pelas pessoas que descobriram no que eu tenho de pior, uma coisinha que eu tenho de bom, e mesmo assim continuam ao meu lado, me ajudando a ser gente, me ajudando a ser mais de Deus, ajudando a buscar dentro de mim, a essência boa que acreditamos que Deus colocou em cada um de nós.

Ter amigos, é como arvorear: lançar galhos, lançar raízes... Para que o outro quando olhar a árvore, saiba que nós estamos ali...Que nós permanecemos para fazer sombra, para trazer ao outro, um pouco de aconchego que ás vezes ele precisa na vida...

ARVOREIE! CRIE ÁRVORES! SEJA AMIGO

Pe. Fábio de Melo

Maior é Deus (Adriana)

Quantas vezes nós pensamos que o melhor é o que queremos
Só que Deus enxerga à frente e nos prepara o caminho.
Não sabemos como orar direito, tão pouco pedir
Mas o Espírito de Deus, Ele ora em nós, sabendo agir.

As demoras e os fracassos em Deus, podem ser vitórias
Olha os lírios, veja as aves como canta ao Senhor.
Quando cantam em tom menor enxergam que o maior é Deus
E voam livres, sempre livres, com os dons que Deus lhes deu.

Louve pela dor, enxergue o zelo de Jesus
Erga essa cabeça, sua paixão é pela cruz
Suba a montanha, igual ao Mestre contemplai
Abra os seus ouvidos e proste-se com o coração
Com o coração.

Entrega tudo pra mim (Adriana)

Pensa em mim
Quando você precisa de alguém
Que empresta o ombro pra chorar
Sem precisar dizer por quê

Pensa em mim
Pra coisas que ninguém pode entender
Você pode desabafar
Tudo o que passa com você

Eu estarei sempre com você
Comigo pode contar
Quero fazer você feliz
Pra não mais chorar

Entrega tudo pra mim
Eu quero isso resolver
Entrega tudo aqui
Nas minhas mãos

Eu sei o que você quer
Tenho tudo pra lhe dar
Confia em mim
Confia em mim
Entrega


Se você pergunta: Essa voz de quem será?
Eu me apresento pra você
Muito prazer: Eu sou Jesus!


Fui eu quem morreu em uma cruz pra te salvar
E hoje eu quero te dar
Tudo o que você me pedir

*O amor de Deus não finda.
Beijos,
Clau

domingo, 24 de janeiro de 2010

Rosa - Pixinguinha


*Tu és divina e graciosa, estátua majestosa do amor

Por Deus esculturada e formada com o ardor

Da alma da mais linda flor de mais altivo olor

E que na vida é preferida pelo beija-flor

Se Deus lhe fora tão clemente aqui neste oriente de luz

Formada numa tela deslumbrante e bela

Teu coração junto ao meu laceado, pregado e crucificado sobre a rosa cruz do arfante peito teu

Tu és a forma ideal, estátua magistral, ó alma perenal do meu primeiro amor, sublime amor

Tu és de Deus a soberana flor

Tu és de Deus a criação uwe em todo o coração sepultas um amor

O riso, a fé,a dor em sândalos olentes cheios de sabor

Em vozes tão dolente como um sonho em flor

És láctea estrela

És mãe da realeza

És tudo enfim que tem de belo em todo o resplendor da santa natureza

Perdão!

Se ouso confessar-te: eu hei de sempre amar-te

Oh! Flor!

Meu peito não resiste. Oh! Meu Deus o quanto é triste

A "in" certeza de um amor que mais me faz "penar"

Em esperar

Em conduzir-te um dia ao pé do altar!

Jurar aos pés do onipotente em preces comoventes de dor

E receber a unção da tua gratidão

Depois de remir meus desejos em nuvens de beijos

Hei de envolvert-te até meu padecer

De todo fenecer


*Homenagem à razão da minha vida: minha mãe, que esta semana completa 60 anos. Destes, pelo menos 38 de amor incondicional aos filhos e netas.

Ela é minha rosa!



quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Chuva


Belém deságua, transborda. E eu fico sentindo as sensações que ela me provoca.

Os mais íntimos sabem das misturas e dos sabores que em mim residem.

Lembranças me invadem feito temporal e junto com elas um sorriso se abre.

Quanta maravilha a chuva me trouxe!

Entre as lembranças inocentes, que posso aqui relatar, lembro que, na infância, quando tudo transbordava, ela me impediu de me despedir de minha amiga Camila, que estava voltando pra sua cidade: São Paulo. Eu apenas consegui acenar para ela, da janela, em direção ao quintal vizinho.

Morava em uma casa de dois cômodos no quintal de minha vó materna (a propósito, por onde andam os quintais?), e entre nossas casas a chuva tinha "plantado" um rio, resultado do transbordamento dos canais próximos a nossa rua. Pra chegar até a casa da vovó meu irmão usava dois bancos de madeira, no compasso dos escravos de Jó.

À época isso era o caos, mas para mim, uma menininha, era motivo suficiente pra confeccionar barquinhos de papel e soltá-los na enchente até que naufragassem.

A modernidade tem o poder de acabar com as melhores brincadeiras da infância, mas não cessa as lembranças, graças a Deus.

Espero que a modernidade não consiga acabar com a chuva.

A chuva é, para mim, uma das comprovações da existência de Deus, ainda que traga tragédias.

Muitos assim não entendem, muitos até nem acreditam em Deus, o que é lamentável. Outro dia decepcionei-me (sim, isto me decepciona!) com a confissão de uma amiga sobre sua descrença n'Ele e, sob meu olhar de espanto ela falou: "mas eu tenho fé". Fé? Em quê? Eu não concebo a fé dissociada da crença suprema deste amor Divino. Eu sequer consigo entender.

Discutir o assunto naquele momento seria inútil. Apenas lamentei seu ceticismo e pedi a Deus que não a abandonasse, pois Ele não precisa provar quem é, apenas precisa ser e continuar a fazer chover.

É necessário que todos entendam que Deus, sem nós, continuará a ser Deus, mas nós, sem Deus nada seremos.


Claudiana Soares


Momento: queria ter escrito isso!

Com licença poética

"Quando nasci um anjo esbelto,desses que tocam trombeta, anunciou:vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,acho o Rio de Janeiro uma beleza e ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo.
Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
-- dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável.
Eu sou".

Adélia Prado

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Momento: queria ter escrito isso!

Não tenho nada que me prove a existência de Deus,
mas mesmo assim Ele continua sendo
o absoluto dos meus dias.
Nunca choveu maná no quintal da minha casa
e a imagem que tenho da Virgem Maria
nunca derramou uma lágrima.
O que tenho aqui é esta mão machucada,
este dedo sangrando,
este nó na garganta,
este humano desconsolo,
esta dor,
esta cor
e este olhar desconcertante de Deus,
deixando-me sem jeito,
ao dizer que me ama".

Padre Fábio de Melo