quarta-feira, 26 de maio de 2010

De pacientes a pacientes


Há um grande hospital.
Por ele e por suas ruas adjacentes transitam milhares de pessoas diariamente.
No hospital a busca por socorro, nas ruas o grito de socorro.
Este movimento todo gera o famoso “prato cheio” dos meliantes.
Refiro-me as adjacências do Hospital Saúde da Mulher, em especial a Trav. Humaitá, entre as Avenidas Duque de Caxias e Visconde de Inhaúma, que cresce em número de assaltos e roubos de carros, proporcionalmente ao crescimento do hospital e do número de pessoas que por ali transitam.
Em tempos em que o Methiolate ardia eu era feliz e não sabia, pois podiamos colocar cadeiras nas calçadas e trocar um dedo de prosa. Hoje não! Hoje ficamos sobressaltados, entramos e saímos de nossas casas com o mesmo rigor (eu diria até primor) que ladrões conseguem escapar da polícia, como um certo meliante que por lá reside e que aparenta Frankstein de tanta facada, tiro e porrada que já levou por conta de suas atrocidades, mas continua a fazer suas vítimas.
Trata-se de um apelo.
Sei de todos os esforços empreendidos pela polícia para melhorar a segurança pública, mas a rua que era minha e que eu mandei ladrilhar com pedrinhas de brilhante, hoje causa pavor. Os assaltos a mão armada são diários e os roubos de veículos tem média de 4 por semana. Isso não é certo! É atentado sobre o direito de ir e vir.
Por esse justo motivo, ficaria feliz se as autoridades policiais passassem mais vezes por aquelas paragens e, com isso, quem sabe não reduziríamos o número de sustos e traumas que obrigam, muitas vezes, cidadãos de bem a retornarem à Unidade de Emergência para, ao invés de fazer visitas, realizar uma consulta de urgência.
Fica o apelo!

quinta-feira, 13 de maio de 2010

O sentido da vida



Parem todos os sentimentos, todas as emoções vividas, todos os olhares, todos os despertares, todo o rancor, amor, ódio, fadiga, desprezos e paixões.

Parem tudo o que me construiu até agora, o que me fez ser quem sou.

Renasci.

Tudo isso já não faz mais sentido. Foi-se.

Conversei com Deus firmemente e vociferei: "Não pode! Não fizemos nada de muito grave pra isso! É cedo! Ainda não pudemos desfrutar de todo amor que essa presença tão iluminada tem a nos oferecer! Não pode, Senhor!"

E como SEMPRE, Ele me ouviu e entendeu meu desespero na voz e no coração. Ele sabia exatamente o que eu precisava entender. E entendi.

Entendi o verdadeiro sentido na vida.

Entendi que o único sentimento que me importou até hoje foi aquele que senti há 5 dias. Um sentimento que não descrevo porque nem todo o conhecimento do mundo me permite decrever, mas sei o que me fez sentir, o que mudou em mim depois que olhei a pior cena da minha vida: meu anjo em um leito molhado, quase sem sangue nas veias, com um tubo que entrava em suas narinas para ajudá-la na tarefa que eu fazia com a maior facilidade, tinha ainda drogas sendo injetadas em suas veias para que pudesse ficar com a gente.

A partir de então pude finalmente compreender, que é o amor incondicional que vem do sangue que move tudo o que sou.

Não, eu não imaginaria minha vida sem minha estrelinha e por isso, vejo que tudo é pequeno, é miúdo diante da responsabilidade de amar e cuidar das pessoas que me ajudaram a construir o meu edifício moral e afetivo e que me mantém viva. Que daria todo sangue do meu corpo e toda aminha alma se preciso fosse, para que ela continue vivendo, pra que ela continue a encantar e deixar queixos caídos com as gracinhas que faz, com os sorrisos que distribui.

E esqueci de tudo, principalmente daqueles que um dia me fizeram mal. Eu os perdoei. São fatos menores ante a responsabilidade de dispensar amor à minha família, às minhas filhas. O que me fizeram não alterou nada em mim, não diminuiu minha felicidade, não me fez menor. Agora, se algo aos que amo acontecer, aí eu perco tudo. Eu perco chão. Eu emudeço. Volto a ser pó, ou então enlouqueço.

Revivi.

Morri e agora retorno com um olhar diferente sob o mundo.

Ainda morro, mas de medo, um medo que vai me acompanhar pra sempre e que vai guardar necessariamente aquela imagem nos meus quintais, pra que eu vez em quando recorra a ela e mude o que for necessário mudar e que compreenda o que nada me é possível fazer.

E tenho amor, muito, tanto, que já não me percebo fora disso, que já não sobreviveria sem a felicidade que toma conta de mim.

Obrigada meu Pai, pastor eterno. Obrigada minha Mãe, que jogou sobre minha estrelinha o seu manto sagrado e, mais uma vez, aumentou minha fé.
Finalmente, sei o que é AMOR que não se mede!

Amém!

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Mãe é de graça!


"Em homenagem ao Dia das Mães, posto um texto que gosto muito, pra variar, da Martha Medeiros"


É bom ter mãe quando se é criança, e também é bom quando se é adulto.
Quando se é adolescente pensamos que viveríamos melhor sem ela, mas é erro de cálculo.
Mãe é bom em qualquer idade.
Sem ela, ficamos órfãos de tudo, já que o mundo lá fora não é nem um pouco maternal conosco.
O mundo não se importa se estamos desagasalhados e passando fome.
Não liga se virarmos a noite na rua, não dá a mínima se estamos acompanhados por maus elementos.
O mundo quer defender o seu, não o nosso.
O mundo quer que a gente fique horas no telefone, torrando dinheiro.
Quer que a gente case logo e compre um apartamento que vai nos deixar endividado por 20 anos.
O mundo quer que a gente ande na moda, que a gente troque de carro, que a gente tenha boa aparência, e estoure o cartão de crédito.
Mãe também quer que a gente tenha boa aparência, mas está mais preocupada com o nosso banho, com os nossos dentes e nossos ouvidos, com a nossa limpeza interna: não quer que a gente se drogue, que a gente fume, que a gente beba.
O mundo nos olha superficialmente.
Não consegue enxergar através.
Não detecta nossa tristeza, nosso queixo que treme, nosso abatimento.
O mundo quer que sejamos lindos, sarados e vitoriosos, para enfeitar ele próprio, como se fôssemos objetos de decoração do planeta.
O mundo não tira nossa febre, não penteia nosso cabelo, não oferece um pedaço de bolo feito em casa.
O mundo quer nosso voto, mas não quer atender nossas necessidades.
O mundo, quando não concorda com a gente, nos pune, nos rotula, nos exclui.
O mundo não tem doçura, não tem paciência, não pára para nos ouvir.
O mundo pergunta quantos eletrodomésticos temos em casa e qual é o nosso grau de instrução, mas não sabe nada dos nossos medos de infância, das nossas notas no colégio, de como foi duro arranjar o primeiro emprego.
Para o mundo, quem menos corre, voa.
Quem não se comunica se trumbica.
Quem com ferro fere, com ferro será ferido.
O mundo não quer saber de indivíduos, e sim de slogans e estatísticas...
Mãe é de outro mundo.
É emocionalmente incorreta: exclusivista, parcial, metida, brigona, insistente, dramática, chega a ser até corruptível se oferecermos em troca alguma atenção.
Mãe sofre no lugar da gente, se preocupa com detalhes e tenta adivinhar todas as nossas vontades.
Enquanto que o mundo propriamente dito, exige eficiência máxima, seleciona os mais bem dotados e cobra caro pelo seu tempo.
Mãe, não! Mãe é de graça!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

"Quando amo; Eu devoro todo o meu coração; Eu odeio; Eu adoro; Numa mesma oração"
(autor deconhecido)

sexta-feira, 23 de abril de 2010

É presciso sensatez

Não, este não será um de meus melhores textos. Muito menos "entendível". Mas é sensato.
Há momentos nas nossas vidas, que o que vale mesmo é seguir nossa intuição, que não sei por qual motivo, eu sempre atrelo à razão.
É abrir mão.
Por motivos tão óbvios que me assustam e me tiram de rotas de colisão necessárias, para me levar a caminhos que não gostaria de ter de percorrer, mas sou obrigada. E essa obrigação lembra-me os caranguejos com seus passos laterais, pra lugar nenhum. Um balé horizontal que nos escondem as forças e nos colocam de frente com a razão, essa mimnha sempre companheira.
E quando ouso, ah, quando ouso mudar esses passos...um fardo enorme me acompanha. Um fardo daqueles que sei o quanto me custa carregar, mas que por medo de um julgamento que, sabe Deus lá de onde virá, não tiro das costas.
São escolhas mesmas, daquelas que tanto faz o tiro, o resultado provocará o mesmo sentimento de impotência. Como se você não tivesse o controle por sua própria vida, por suas próprias escolhas, porque a linha de chegada está localizada no mesmo ponto de tua consciência, não importa o caminho que você percorra ou de que forma você percorra.
O resultado é sofrimento, o alívio não vem, nem se aproxima. Fica lá feito um carrasco a lhe apontar o indicador e dizer: "eu bem que te avisei". E aquela sensação imbecíl de: "pelo menos eu tentei", de nada te serve.
Fato consumado.
E o tempo?
Não importa, porque ele também não para como também o mundo não para de girar pra que você conserte o que você acha que tem pra consertar.
Então a dúvida: "o que fazer?"
Não sei, se soubesse, esse texto não estaria escrito.
Mas a consciência, ah, a consciência! Mais que o tempo, é a senhora de todas as coisas. Por isso, é preciso sensatez!

Claudiana

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Sobre a inveja...


"Os homens de mérito não precisam cuidar da sua fama; a inveja dos tolos e dos petulantes se encarrega de propagá-la."
(Cándido Nocegal y Rodríguez de la Flor)

Veja bem, meu bem, como anda sua vida? Eu disse, a sua, porque a dos outros a eles importa.
Creio que inveja tem muito de intromissão na vida alheia. Tem muito de ficar aos quatro cantos blasfemando (e bostejando) contra pessoas que, geralmente, estão nem aí pro tal do invejoso (normalmente in-ve-jo-sa).
Incrivelmente, mesmo não me achando o supra sumo de nada, fui e sou vítima dos maledicentes. Conversava outro dia sobre isso com uma amiga, porque nos descobrimos invejosas.
Com todo o tom pejorativo que o termo e ação em si denotam, percebemos que bem lá no fundo há uma inveja que não é maléfica. Dirão: mas qual? Eu explico.
Como linguistas, eu e minha amiga temos admiração profunda por alguns autores dos quais devoramos bibliografias. E ela me contava que uma doutora em nossa área, professora da mangueirosa, esteve participando de uma Seminário em São Paulo e depois foi convidada pelo prórpio Sirio Possenti (linguísta) para tomar um chopp. E nós nos roemos.
Outra. Contou ela também que um de seus professores do mestrado é doutor em análise do discurso desde os 28 anos de idade, além de ser amigo pessoal de João Wanderley Geraldi (também linguísta). E nós nos roemos, de nooovo. Mas junto com toda essa "roeção" veio o impulso, o desejo: "um dia estaremos lá". E essa "roeção" não foi nada que nos tirasse o sono ou nos desse brotoejas. Eu diria até que se trata de admiração em excesso. Daí percebemos que, neste caso, não houve maldade em invejar, mas um desejo explícito em chegar lá.
Agora perceba, nossos nomes andam rolando à boca miúda pelos motivos mais fúteis do mundo, uma inveja sem precedentes nem motivos, pois o que fazemos (eu e minha amiga) é estudar para chegar a degraus mais altos de sabedoria daquilo que apreciamos, daquilo que amamos. Daí nos perguntamos? Como, meu Deus, invejam nossas pessoas se nem sequer apreciam o pensar, o estudar, o progredir intelectualmente?
O MEC pode comprovar isso. O Lattes, idem.
Admitiríamos a inveja se nela houvesse lógica. Quem sabe até não nos uniríamos para dar apoio e forças pra que subissem seus degraus com suas próprias pernas. Mas não dá. Suas línguas pesam demais. Atrapalham demais. Reclamam demais.
Elas tropeçam. Elas sempre caem, seja em contradição ou puramente com a cara no chão.
Enquanto isso... rimos à beça, tomamos uns choppes, fazemos compras, amigos novos, estudamos, cuidamos de nossas vidas. Afinal, temos ocupações e preocupações que nos enchem o tempo, este senhor da vida que vive a nos dizer: "Não se esqueça de mim, não se perca de mim, não desapareça".
E mesmo com toda essa consumação de tempo, ainda o temos para dedicar uma prece aos maus invejosos. Mas é somente isso que podemos fazer, o resto é com os Bocages.
Pra quem acredita, vale uma figa, uma pimenta vermelha, um olho grego etc. etc. etc.

Beijinhos letrados.

Clau

domingo, 11 de abril de 2010

Como diz minha amada Martha Medeiros: "O tempo não cura tudo, aliás, o tempo não cura nada, ele apenas tira do nosso foco de atenção algo que nos incomoda. Mas fica lá no nosso quintal e, de vez em quando, a gente visita e se sente mal."

sábado, 10 de abril de 2010

Como permitir???


Se ficou impresso no lençol o desenho do teu corpo.
Se as roupas de cama ainda estão marcadas.
Se o teu cheiro ainda está entranhado no meu nariz.
Se ainda há impressões digitais tuas em meu corpo.
Se ainda sinto o gosto do teu beijo.
Se o amor, amor, não morreu.
Se ainda sou tua amora.
Se minha estante denuncia a espera de um livro com páginas em branco, sem teu nome, sem tua dedicatória.
Se mandei as rimas às favas, o orgulho também.
Se o amor não teve tempo de ser gasto.
Se ainda durmo esperando que meu telefone toque, ou o interfone.
Se ainda há uma toalha a tua espera.
Se não me importo com o joelho que descasca,
com o dedo que corta,
O pé que rasga.
Mas me importo com o coração que sangra e chama teu nome a toda hora,
clamando por justiça.
Sofrendo tua ausência.
Que doía quando estavas aqui.
Imagine agora?
Agora é só um vazio teimoso, insistente, impiedoso.
Como permitir???
Se meus olhos murcharam.
Se meu sorisso amarelou.
Se meu peito apertou.
E o coração sangra.
Me diz???!!!!
Como é ser feliz???!!!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Eu, modo de usar (Martha Medeiros)

Pode invadir
Ou chegar com indelicadeza,
Mas não tão devagar que me faça dormir.
Não grite comigo, tenho o péssimo habito de revidar...

Toque muito em mim
Principalmente nos cabelos
E minta sobre a nocauteante beleza.

tenha vida própria,
Me faça sentir saudades,
Conte algumas coisas que me fazem rir...
Viaje antes de me conhecer,
Sofra antes de mim para reconhecer-me...
Acredite nas verdades que digo
E também nas mentiras, elas serão raras
e sempre por uma boa causa.

Respeite meu choro,
Me deixe sozinha,
Só volte quando eu chamar e,
Não me obedeça sempre
que eu também gosto de ser contrariada
Então fique comigo quando eu chorar, combinado?

Me conte seus segredos...
Me faça massagem nas costas
Não fume,
Beba,
Chore,
eleja algumas contravenções.
Me rapte!
se nada disso funcionar...

Experimente me amar!

terça-feira, 6 de abril de 2010

Crise dos 7 anos.



No tempo em que eu era neném, não tinha talco e mamãe passava açúcar em mim falava-se com pesar sobre a tal crise dos sete anos...



"Casaram e viveram felizes para sempre, mas com sete anos de casados tiveram 'aquela' famosa crise e foi cada um pra o seu lado. Eles, inclusive, já tinham 5 filhos que ela se esforçou para criar durante o tempo da separação. Mas o amor sempre fala mais alto. As famílias sempre interferem e o que parecia ser o fim de um casamento transformou-se na reafirmação dos sentimentos, afinal, tinham cinco filhos e, aquela altura do campeonado não era mais prudente uma separação. No mais, ele sempre fora uma homem trabalhador e ela uma excelente dona de casa".



Para! Para! Para!

Naquele tempo era assim, hoje o discurso é bem outro. Os relacionamentos duradouros têm o costume de cair em meio ao vão, e a tal crise dos sete anos se transformou em crise dos sete meses, sete semanas, sete dias. Não há mais receitas; raramente há filhos em número maior que dois; as mulheres já não são mais donas do lar, cuidam de suas vidas e, dos filhos, quem cuida são as babás e a educação base ficou por conta da escola. Não há mais tempo pra essas "bobagens" de cuidados com maridos e filhos, graças ao sistema capitalista latente e literalmente desgovernado. Mas não vamos falar sobre isso.

Prevalecem nas relações a intolerância, o egoísmo, a auto afirmação e, claro, a velocidade:

- Oi Yasmim, como vai o Felipe Henrique?
- Quem, o finado? Esse já era. Pegava muito no meu pé. Queria sair na sexta com minhas amigas pra uma noitada e ele ligava toda hora. Que saco! Agora tô namorando uma médico, Dr. Patrick Charaudeau, tem uma semana, mas já num tô gostando de umas coisas, ele tem pé chato e gosta de Calypso...



Para! Para! Para!



Fica só, é a melhor solução. Ou será que ninguém te contou que as pessoas têm defeitos? Têm e muitos, mas há de terem qualidades também. Vai com calma...


Sabemos dos muitos, vários fatores que hoje impedem a maior durabilidade dos relacionamentos, mas se você estiver com alguém de quem sente saudade, sente carinho, respeita. Quando chegar essa crise de dias dê uma trégua. Conte até dez, onze, doze, trinta, cem, mil e se esforce pra que o brilho nos olhos não se apague com o pôr do sol do primeiro final de semana juntos.


No mais, se não der certo, você pode ao menos dizer que tentou, que foi feliz enquanto durou e, pode ainda não carregar nas costas o peso da responsabilidade por ter sido injusta com você e com o outro.

Não que isso signifique voltar aos tempos áureos de nossos antepassados, afinal, a modernidade tá aí pra nos modificar, mas que tal crer que pode ser menos fulgaz?



Clau Soares