terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Sobre a renúncia...

O melhor texto que li sobre o assunto...

Foto: "Tenho 23 anos e ainda não entendo muitas coisas. E há muitas coisas que não se podem entender as 8h da manhã quando te acordam para dizer em poucas palavras: “Daniel, o papa renunciou.” Eu apressadamente contestei: “Renunciou?”. A resposta era mais que óbvia, “Renunciou, Daniel, o papa renunciou!”.

O papa renunciou. Assim amanheceu escrito em todos os jornais, assim amanheceu o dia para a maioria, assim rapidamente alguns tantos perderam a fé e outros muitos a reforçaram. Poucas pessoas entendem o que é renunciar.

Eu sou católico. Um de muitos. Desses que durante sua infância foi levado à missa, cresceu e criou apatia. Em algum ponto ao longo da estrada deixei pra lá toda a minha crença e a minha fé na Igreja, mas a Igreja não depende de mim para seguir, nem de ninguém (nem do Papa). Em algum ponto da minha vida, voltei a cuidar da minha parte espiritual e assim, de repente e simplesmente, prossegui um caminho no qual hoje eu digo: Sou católico. Um de muitos sim, mas católico por fim. Mas assim sendo um doutor em teologia, ou um analfabeto em escrituras (desses que há milhões), o que todo mundo sabe é que o Papa é o Papa. Odiado, amado, objeto de provocações e orações, o Papa é o Papa, e o Papa morre sendo Papa. Por isso hoje quando acordei com a notícia, eu, junto a milhões de seres humanos, nos perguntamos “por que?”. Por que renuncia senhor Ratzinger? Sentiu medo? Sentiu a idade? Perdeu a fé? A ganhou? E hoje, 12 horas depois, creio que encontrei a resposta: O senhor Ratzinger renunciou toda a sua vida.

Simples assim.

O papa renunciou a uma vida normal. Renunciou ter uma esposa. Renunciou ter filhos. Renunciou ganhar um salário. Renunciou a mediocridade. Renunciou as horas de sono pelas horas de estudo. Renunciou ser só mais um padre, mas também renunciou ser um padre especial. Renunciou preencher a sua cabeça de Mozart, para preenchê-la de teologia. Renunciou a chorar nos braços de seus pais. Renunciou a, tendo 85 anos, estar aposentado, desfrutando de seus netos na comodidade de sua casa e no calor de uma lareira. Renunciou desfrutar de seu país. Renunciou seus dias de folga. Renunciou sua vaidade. Renunciou a defender-se contra os que o atacavam. Sim, isso me deixa claro que o Papa foi, em toda sua vida, muito apegado à renuncia.

E hoje, voltou a demonstrar. Um papa que renuncia a seu pontificado quando sabe que a Igreja não está em suas mãos, mas nas mãos de alguém maior, parece ser um Papa sábio. Nada é maior que a Igreja. Nem o Papa, nem seus sacerdotes, nem os laicos, nem os casos de pedofilia, nem os casos de misericórdia. Nada é maior que ela. Mas ser Papa nesse tempo do mundo, é um ato de heroísmo (desses heroísmos que acontecem diariamente em nosso país e ninguém nota). Recordo sem dúvida, as histórias do primeiro Papa. Um tal... Pedro. Como morreu? Sim, em uma cruz, crucificado igual ao teu mestre, mas de cabeça para baixo. Hoje em dia, Ratzinger se despede de modo igual. Crucificado pelos meios de comunicação, crucificado pela opinião pública e crucificado pelos seus irmãos católicos. Crucificado pela sombra de alguém mais carismático. Crucificado na humildade que tanto dói entender. É um mártir contemporâneo, desses que se pode inventar histórias, a esses que se pode caluniar e acusar a vontade, que não respondem. E quando responde, a única coisa que faz é pedir perdão. “Peço perdão pelos meus defeitos”. Nem mais, nem menos. Quanta nobreza, que classe de ser humano. Eu poderia ser mórmon, ateu, homossexual e abortista, mas ver uma pessoa da qual se dizem tantas coisas, que recebe tantas críticas e ainda responde assim... esse tipo de pessoa, já não se vê tanto no mundo.

Vivo em um mundo onde é engraçado zombar o Papa, mas que é um pecado mortal zombar um homossexual (e ser taxado como um intolerante, fascista, direitista e nazista). Vivo em um mundo onde a hipocrisia alimenta as almas de todos nós. Onde podemos julgar um senhor de 85 anos que quer o melhor para a Instituição que representa, mas lhe indagamos com um “Com que direito renuncia?”. Claro, porque no mundo NINGUÉM renuncia a nada. Ninguém se sente cansado ao ir pra escola. Ninguém se sente cansado ao ir trabalhar. Vivo um mundo onde todos os senhores de 85 anos estão ativos e trabalhando (sem ganhar dinheiro) e ajudam às massas. Sim, claro.

Mas agora sei, senhor Ratzinger, que vivo em um mundo que vai sentir falta do senhor. Em um mundo que não leu seus livros, nem suas encíclicas, mas que em 50 anos se lembrará como, com um simples gesto de humildade, um homem foi Papa, e quando viu que havia algo melhor no horizonte, decidiu partir por amor à sua Igreja. Vá morrer tranquilo senhor Ratzinger. Sem homenagens pomposas, sem um corpo exibido em São Pedro, sem milhares aclamando aguardando que a luz de seu quarto seja apagada. Vá morrer, como viveu mesmo sendo Papa: humildemente.

Bento XVI, muito obrigado por renunciar."


Traduzi do artigo postado em http://oehd.wordpress.com/2013/02/12/siempre-renuncias-benedicto/ por revelar com muita fidelidade meu sentimento e pensamento sobre o assunto. =)

"Tenho 23 anos e ainda não entendo muitas coisas. E há muitas coisas que não se podem entender as 8h da manhã quando te acordam para dizer em poucas palavras: “Daniel, o papa renunciou.” Eu apressadamente contestei: “Renunciou?”. A resposta era mais que óbvia, “Renunciou, Daniel, o papa renunciou!”.

O papa renunciou. Assim amanheceu escrito em todos os jornais, assim amanheceu o dia para a maioria, assim rapidamente alguns tantos perderam a fé e outros muitos a reforçaram. Poucas pessoas entendem o que é renunciar.

Eu sou católico. Um de muitos. Desses que durante sua infância foi levado à missa, cresceu e criou apatia. Em algum ponto ao longo da estrada deixei pra lá toda a minha crença e a minha fé na Igreja, mas a Igreja não depende de mim para seguir, nem de ninguém (nem do Papa). Em algum ponto da minha vida, voltei a cuidar da minha parte espiritual e assim, de repente e simplesmente, prossegui um caminho no qual hoje eu digo: Sou católico. Um de muitos sim, mas católico por fim. Mas assim sendo um doutor em teologia, ou um analfabeto em escrituras (desses que há milhões), o que todo mundo sabe é que o Papa é o Papa. Odiado, amado, objeto de provocações e orações, o Papa é o Papa, e o Papa morre sendo Papa. Por isso hoje quando acordei com a notícia, eu, junto a milhões de seres humanos, nos perguntamos “por que?”. Por que renuncia senhor Ratzinger? Sentiu medo? Sentiu a idade? Perdeu a fé? A ganhou? E hoje, 12 horas depois, creio que encontrei a resposta: O senhor Ratzinger renunciou toda a sua vida.

Simples assim.

O papa renunciou a uma vida normal. Renunciou ter uma esposa. Renunciou ter filhos. Renunciou ganhar um salário. Renunciou a mediocridade. Renunciou as horas de sono pelas horas de estudo. Renunciou ser só mais um padre, mas também renunciou ser um padre especial. Renunciou preencher a sua cabeça de Mozart, para preenchê-la de teologia. Renunciou a chorar nos braços de seus pais. Renunciou a, tendo 85 anos, estar aposentado, desfrutando de seus netos na comodidade de sua casa e no calor de uma lareira. Renunciou desfrutar de seu país. Renunciou seus dias de folga. Renunciou sua vaidade. Renunciou a defender-se contra os que o atacavam. Sim, isso me deixa claro que o Papa foi, em toda sua vida, muito apegado à renuncia.

E hoje, voltou a demonstrar. Um papa que renuncia a seu pontificado quando sabe que a Igreja não está em suas mãos, mas nas mãos de alguém maior, parece ser um Papa sábio. Nada é maior que a Igreja. Nem o Papa, nem seus sacerdotes, nem os laicos, nem os casos de pedofilia, nem os casos de misericórdia. Nada é maior que ela. Mas ser Papa nesse tempo do mundo, é um ato de heroísmo (desses heroísmos que acontecem diariamente em nosso país e ninguém nota). Recordo sem dúvida, as histórias do primeiro Papa. Um tal... Pedro. Como morreu? Sim, em uma cruz, crucificado igual ao teu mestre, mas de cabeça para baixo. Hoje em dia, Ratzinger se despede de modo igual. Crucificado pelos meios de comunicação, crucificado pela opinião pública e crucificado pelos seus irmãos católicos. Crucificado pela sombra de alguém mais carismático. Crucificado na humildade que tanto dói entender. É um mártir contemporâneo, desses que se pode inventar histórias, a esses que se pode caluniar e acusar a vontade, que não respondem. E quando responde, a única coisa que faz é pedir perdão. “Peço perdão pelos meus defeitos”. Nem mais, nem menos. Quanta nobreza, que classe de ser humano. Eu poderia ser mórmon, ateu, homossexual e abortista, mas ver uma pessoa da qual se dizem tantas coisas, que recebe tantas críticas e ainda responde assim... esse tipo de pessoa, já não se vê tanto no mundo.

Vivo em um mundo onde é engraçado zombar o Papa, mas que é um pecado mortal zombar um homossexual (e ser taxado como um intolerante, fascista, direitista e nazista). Vivo em um mundo onde a hipocrisia alimenta as almas de todos nós. Onde podemos julgar um senhor de 85 anos que quer o melhor para a Instituição que representa, mas lhe indagamos com um “Com que direito renuncia?”. Claro, porque no mundo NINGUÉM renuncia a nada. Ninguém se sente cansado ao ir pra escola. Ninguém se sente cansado ao ir trabalhar. Vivo um mundo onde todos os senhores de 85 anos estão ativos e trabalhando (sem ganhar dinheiro) e ajudam às massas. Sim, claro.

Mas agora sei, senhor Ratzinger, que vivo em um mundo que vai sentir falta do senhor. Em um mundo que não leu seus livros, nem suas encíclicas, mas que em 50 anos se lembrará como, com um simples gesto de humildade, um homem foi Papa, e quando viu que havia algo melhor no horizonte, decidiu partir por amor à sua Igreja. Vá morrer tranquilo senhor Ratzinger. Sem homenagens pomposas, sem um corpo exibido em São Pedro, sem milhares aclamando aguardando que a luz de seu quarto seja apagada. Vá morrer, como viveu mesmo sendo Papa: humildemente.

Bento XVI, muito obrigado por renunciar."

Por Cristiano Sousa Borges

domingo, 13 de janeiro de 2013

Um assunto delicado...

"Gosto, religião e futebol não se discute".
Escutei isso a minha vida toda e nunca me conformei muito com a ideia. Discutir, dialogar, trocar ideias, dissertar, divergir são coisas que fazem e sempre fizeram parte do meu show. Se o contrário fosse não haveria o Direito (que me corrija Raíssa Biolcati se eu estiver errada), nem o livre-arbítrio (que me julgue Deus). Então preciso tocar num assunto ultra delicado... religião.
Nasci e fui batizada no catolicismo e nele pretendo morrer, com um padre segurando água benta em uma mão e a bíblia na outra, dando ao meu corpo sem vida e à minha alma a extrema unção. Apesar de não ser uma católica praticante, tenho no retrovisor do carro um terço, na carteira um santinho com a oração de São  Jorge (que julgo a mais poderosa de todas) e ao lado do meu computador, no trabalho, a imagem de Nossa Senhora de Nazaré, que me acompanha desde o segundo emprego, aos 19 anos. Tenho também um míni presépio em meu quarto, na estante, que fica lá de dezembro a dezembro. Gosto disso tudo, me sinto protegida por esses símbolos.
Nascida em uma família de muitos tios (pelo menos 5 de cada lado) e todos católicos, fui percebendo que conforme ia crescendo eles iam trocando de religião. Hoje, apenas eu e mamãe somos católicas e eu confesso que isso me deixa com uma pitada de incômodo.
Nunca concordei com tudo o que a igreja romana apregoa, o celibato é uma delas, desconfio de trechos bíblicos porque foram escritos pelos homens; os 10% do dízimo, inclusive. Acredito que você não deve gastar tudo o ganha com você enquanto tantos passam fome, e se você ajuda alguém de alguma forma, você está ajudando a igreja a desemprenhar uma de suas tarefas. Isso pra mim é dízimo. Enfim...como paraense acho o Círio de Nazaré o maior exemplo de fé, de religião, de lugar onde Deus, com certeza absoluta, está presente e não me vejo sem viver isso. Por conta desse êxodo religioso familiar, mamãe não faz mais o almoço do Círio. Somos só nós duas, afinal. E vi nos olhos dela a tristeza quando minha sobrinha, que considero filha e fui madrinha de crisma, um ano depois disso foi batizada na Igreja Quadrangular e hoje tem sua Célula. Ok, ninguém é obrigado a morrer seguindo uma doutrina mas, sinceramente, o que leva à mudança? Quais os motivos? Meu pai, que é obreiro na Igreja Mundial da Graça diz: "minha filha, um dia você também vem. Todos vêm, se não for pelo amor, vem pela dor".
Juro, não vou. Não vou porque discordo da ideia de que apenas o evangélicos é que são os salvos. O cristianismo prega que Cristo irá voltar para arrebatar "os seus" que, dizem os evangélicos, "são eles" porque aceitaram Jesus. Eu também aceitei, mas não precisei mudar de religião pra isso e nem alterar minha forma de fé. Acredito que quando Jesus voltar "os seus" tão referidos serão as pessoas de bem, que respeitam o próximo, que não atentam contra a dignidade ou a vida de ninguém, independente da religião que professe. Existem pessoas boas e más em qualquer religião, então por que essa exclusividade?
Escolhas à parte, sinto que eu e a mamãe somos sobreviventes de um naufrágio. E não me importo se isso parecer exagero, melodrama ou qualquer outra coisa, me importo e me incomodo com essa mudança tão sentida; me importo em não poder reunir mais a família no natal dos paraenses; me importo com a ausência de padrinhos nas próximas gerações dos Soares e Furtado; me importo com as tradições que vão ficando pelo caminho: como a defumação que a vovó fazia no último dia de todos os anos depois que chegava do ver-o-peso com sacolas cheias de ervas perfumadas para afastar coisas ruins e atrair coisas boas para o novo ano; me importo com a extinção dos santuários em algum canto das casas; me importo com o barulho que fazem quando realizam seus cultos na vizinhança. Deus não é surdo. É isso.
Não me importo se dirão que se eu mesma falo de livre-arbítrio, então por que escrevi tudo isso? Por que estou tão incomodada? Então para responder recorrerei a duas pessoas: Zeca Pagodinho e Arnaldo Antunes:
"O dono da dor sabe o quanto dói"
"A dor é minha. A dor é de quem tem...É minha só, não é de mais ninguém"

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

2012, o ano da minha preguiça

Ok, se insistem em zerar pra começar tudo de novo....segue meu primeiro post de 2013.
Preguiça de escrever, foi a palavra de ordem em 2012. A prova está no número de postagens dos anos anteriores, mas sei a quem atribuo a culpa: ao cansaço do trabalho que diariamente me levou à exaustão; daí quando chegava em casa era cama, filminho, preguiça, comida e uma olhadinha no Face.
Preguiça. Tive muita preguiça de continuar amiga de gente que se acha, então mandei em frente. Fiquei tão mais feliz e disposta depois que se foram com seus fingimentos, ôba ôba e demais chatices. Em compensação a vida me trouxe a Lely, que adoro, e me fez permanecer com Beth, Paula e Mauro. Sim, eu tenho os meus preferidos, sempre terei e não me importo se isso chateia alguém.É puro darwinismo.
Preguiça. Eu tive preguiça de tentar mudar a cabeça dura do meu, pela segunda vez, ex-namorado. E mais do que nunca tive a certeza de que não são os opostos que se atraem, são os iguais, os afins. como falei, estávamos nos reconhecendo, e bastaram dois meses para descobrirmos que não daríamos certo de nenhum jeito, ainda que nos esforçássemos. Ele voltou de repente e também se foi. Fiquei exatamente algumas horas chateada e no dia seguinte eu já sentia outro perfume porque a paciência nunca foi minha grande amiga.
Viajei. Fui a São Luiz com uma turma da pesada e foi muito legal. Uma viagem inesquecível e cheia de aventuras. Fui a São Paulo com minha anja e tomei um banho de cultura: visitei a Bienal, conheci o Masp, assisti a espetáculos da Broadway. Tudo muito válido, tudo mega perfeito.
Conheci o Pe. Fábio e pude comprovar sua humildade, simplicidade e sabedoria. Deus sabe a emoção. Deus sabe o presente que me deu. Ô homenzinho sábio.
Preguiça. Tive preguiça de tirar a habilitação, mas tenho que fazer isso agora que meu carro voltou. É, foi uma novela, mas ele foi devolvido depois de muita dor de cabeça, estresse e amizades terminadas (que por sinal não fazem falta). Agora ele só espera a minha carteira pra que eu saia por aí. O que mais vou gostar é de ir visitar a Paulinha lá em Icoaraci, minha amiga linda linda linda e de levar a mamis pra onde ela quiser.      
Preguiça. Preguiça de continuar a escrever.
Preguiça, par por aqui.


sábado, 29 de dezembro de 2012

Aos que amo, aos que me amam e até para quem não...em 2013...

Te desejo uma fé enorme.Em qualquer coisa, não importa o quê. Desejo esperanças novinhas em folha, todos os dias.Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo. Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer do nosso. Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades, mesmo que as mentiras e as verdades sejam impermanentes. Que friagem nenhuma seja capaz de encabular o nosso calor mais bonito. Que, mesmo quando estivermos doendo, não percamos de vista nem de sonho a ideia da alegria.Tomara que apesar dos apesares todos, a gente continue tendo valentia suficiente para não abrir mão de se sentir feliz. As coisas vão dar certo. Vai ter amor, vai ter fé, vai ter paz – se não tiver, a gente inventa. Te quero ver feliz, te quero ver sem melancolia nenhuma. Certo, muitas ilusões dançaram. Mas eu me recuso a descrer absolutamente de tudo, eu faço força para manter algumas esperanças acesas, como velas…

Caio Fernando Abreu

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

"O coração da gente gosta de atenção. De cuidados cotidianos. De mimos repentinos. De ser alimentado com iguarias finas, como a beleza, o riso, o afeto... E há momentos em que tudo o que ele precisa é que preparemos banhos de imersão na quietude para lavarmos, uma a uma, as partes que lhe doem. E que o levemos para revisitar, na memória, instantes ensolarados de amor capazes de ajudá-lo a mudar a freqüência do sentimento. Há momentos em que tudo o que precisa é que reservemos algum tempo a sós com ele para desapertá-lo com toda delicadeza possível. Coração precisa de espaço."

Caio Fernando Abreu

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Readaptação


Estou destreinada. Juro. 
Estou destreinada da função de namorada.
Por dois anos e meio fiquei presa em meu “castelo da liberdade”, não desejando que houvesse de novo alguém pra me fazer sentir, viver ou fazer algo que tivesse como motivo uma promoção de supermercado do tipo 2 em 1. Sei que vão me chamar de egoísta por isso e também sei da nítida necessidade de adaptação atrelada à história de namoro à distância.
“Vamos fazer tal coisa nesse fim de semana? Não, não vai dar porque o namorado vai chegar e é preciso dar atenção a ele.” (eleger prioridades)
“Olha, comprei uma escova de dentes pra deixar aqui pra quando vieres” (avanço da convivência)
“Usa essa camisa que trouxe daquela viagem, eu lavo a tua e deixo secar enquanto...” (cuidado)
“Esse anticoncepcional esta mexendo com meus hormônios. Acho que preciso mudar.” (escolhas)
“Não gosto de ar. – Mas eu gosto. - Tá, então a gente liga e deixa esfriar e depois desliga e liga o ventilador.” (consenso)
“Vais ficar com essa cara a noite toda? – Não, afinal a gente não se vê sempre, não devia tá brigando a toa. (as D.R’s)
E quando começo a tentar ouço um barulho, e quando percebo já sinto o frio da água jogada do balde que estava nas mãos de gente inesperada, que talvez esteja enxergando o que meus olhos não conseguem ou apenas enganadas.
Permitam-me tentar, já “desadolesci”, já percebo diferença entre certo, errado e duvidoso. Já sei discernir amor, paixão, tentativa, relação saudável, amadurecimento. Deixem-me ir, preciso andar por aí e encontrar minhas próprias pedras, e desatar meus próprios laços, e dar a mão à palmatória só pra me ver arder, só pra quem sabe doer inteira e chorar uma dor sentida ou não. Eu não sei e vocês também não sabem.
Deixem-me tentar
Permitam-me readaptar.
Eu, caçador de mim...

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Um mês depois de dezessete anos...


Foi há um mês que ele reapareceu na porta da casa dela e nenhum dos dois sabia exatamente o que podia esperar um do outro. Era necessário re-conhecer para se reconhecer e se reinventar. Os jovens de dezessete anos atrás já não mais existiam. As pedras haviam se encontrado, o mundo havia girado e girado e girado e no final eram outras vidas, outras pessoas e muitas histórias pra contar: filhos, casamentos desfeitos, namoros malfadados, conquistas, outras personalidades. Ele já não ouvia mais Engenheiros do Hawaii, ela já não ia mais atrás do trio. Ele tinha encurtado os  cabelos e ela deixou os seus crescerem. Ele parou de fumar, ela sequer tentou... mas mesmo assim quis o destino que eles se reencontrassem e se revisitassem. Hoje novamente juntos tentam viver uma nova história, longe dos sonhos adolescentes e perto, muito perto do que se pode chamar de maturidade. Dividem a distância mas contam com a tecnologia para os aproximarem. Quando se veem ficam felizes por não mais serem dezessete anos de distância, mas apenas 210 km e... como diria Nando Reis: "estão livres da perfeição que só faz estragos". E vão levando, tentando, ultrapassando e de vez em quando, em segredo, perguntam-se até onde podem ir e como fazem pra ficar.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Mais um ano novo

Mais um ano novo chegou pra mim. Como já falei um dia aqui, o dia 31 de dezembro é só mais uma data no calendário juliano, o meu ano novo eu considero o dia do meu aniversário.
É bom saber-se vivo, no sentido poético da palavra. É bom saber que em meio a milhares de defeitos que tenho aos 34 anos eu estou satisfeita com a pessoa que eu sou e com as escolhas que fiz. A vida é feita delas e as fazemos todos os dias: a roupa, a comida, os amigos, o canal de TV e o destino que juramos ter nas mãos são frutos de nossas escolhas.
Sou feliz pelos erros que cometi, eles sempre me lançam pra frente e eu espero continuar cruzando com meus desencontros e desacertos. Sou grata aos conselhos que recebi mesmo que não tenha seguido, por teimosia, 95% deles. De verdade, eles não devem ser dados, e quando nos pedem querem ouvir o que sua própria voz fala. Não vale a pena. Aos 34 anos gosto de ter essa personalidade forte que sai atropelando tudo o que merece ser underground e que não merece arrependimento, como os nós desfeitos.
E neste último ano foquei nas coisas que me deixam feliz, como as amizades que mantive, as que me desfiz (sim, fiquei feliz por ter feito isso. Foi um alívio!), os primos por parte de pai que reencontrei e me identifiquei e, vejam só, depois de dezessete anos, sem jamais imaginar que aconteceria, eu volto a namorar meu primeiro namorado, como uma história saída dos contos de fadas. Claro, ainda há ajustes a serem feitos, mas vamos ver até onde vai. E por esses e outros motivos algumas coisas ficaram bastante claras na minha cabeça: sim, as pedras se encontram e concordando com Shakespeare, tempo não é algo que não possa voltar para trás. Algumas coisas a gente deve deixar lá, em banho maria, até que atinjam seu ponto de servir.
Quanto a família, sou muito grata a Deus pela que Ele escolheu pra mim, mesmo com pais separados fomos criados em uma época em que valores morais contavam mais que presentes, até porque não tínhamos mesmo como viver de luxo e presente era artigo de luxo.
Quanto ao trabalho, eu gosto muito do que faço e ainda que não seja minha profissão de direito eu faço com satisfação desmedida.
Quanto a fazer aniversário, é um dia de reflexão e há anos menos comemorativo. Este ano passei com o namorado e a meia noite ganhei bolinho da chefe porque ainda estava trabalhando.
Nem tudo foi perfeito no meu ano novo, também estive muito mal por situações que aconteceram em família e que me abalaram profundamente, e me deixaram descrente do ser humano enquanto ser capaz de não fazer mal ao outro. Vi tanta maldade, tanta falsidade que fiquei excessivamente incomodada e me opus violentamente a isso.
34 anos...
Agora eu também resolvi que não quero e nem pretendo ter muito dinheiro, apenas o suficiente pra não faltar comida na mesa e sorriso no rosto da mãe.
E também já consigo, sem me adolescentizar, saber quem é meu amigo de verdade e quem não deve mais fazer parte do meu show.
E vou continuar fazendo sexo pra, quem sabe, amar.
E vou continuar errando pra quem sabe acertar.