sábado, 29 de dezembro de 2012

Aos que amo, aos que me amam e até para quem não...em 2013...

Te desejo uma fé enorme.Em qualquer coisa, não importa o quê. Desejo esperanças novinhas em folha, todos os dias.Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo. Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer do nosso. Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades, mesmo que as mentiras e as verdades sejam impermanentes. Que friagem nenhuma seja capaz de encabular o nosso calor mais bonito. Que, mesmo quando estivermos doendo, não percamos de vista nem de sonho a ideia da alegria.Tomara que apesar dos apesares todos, a gente continue tendo valentia suficiente para não abrir mão de se sentir feliz. As coisas vão dar certo. Vai ter amor, vai ter fé, vai ter paz – se não tiver, a gente inventa. Te quero ver feliz, te quero ver sem melancolia nenhuma. Certo, muitas ilusões dançaram. Mas eu me recuso a descrer absolutamente de tudo, eu faço força para manter algumas esperanças acesas, como velas…

Caio Fernando Abreu

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

"O coração da gente gosta de atenção. De cuidados cotidianos. De mimos repentinos. De ser alimentado com iguarias finas, como a beleza, o riso, o afeto... E há momentos em que tudo o que ele precisa é que preparemos banhos de imersão na quietude para lavarmos, uma a uma, as partes que lhe doem. E que o levemos para revisitar, na memória, instantes ensolarados de amor capazes de ajudá-lo a mudar a freqüência do sentimento. Há momentos em que tudo o que precisa é que reservemos algum tempo a sós com ele para desapertá-lo com toda delicadeza possível. Coração precisa de espaço."

Caio Fernando Abreu

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Readaptação


Estou destreinada. Juro. 
Estou destreinada da função de namorada.
Por dois anos e meio fiquei presa em meu “castelo da liberdade”, não desejando que houvesse de novo alguém pra me fazer sentir, viver ou fazer algo que tivesse como motivo uma promoção de supermercado do tipo 2 em 1. Sei que vão me chamar de egoísta por isso e também sei da nítida necessidade de adaptação atrelada à história de namoro à distância.
“Vamos fazer tal coisa nesse fim de semana? Não, não vai dar porque o namorado vai chegar e é preciso dar atenção a ele.” (eleger prioridades)
“Olha, comprei uma escova de dentes pra deixar aqui pra quando vieres” (avanço da convivência)
“Usa essa camisa que trouxe daquela viagem, eu lavo a tua e deixo secar enquanto...” (cuidado)
“Esse anticoncepcional esta mexendo com meus hormônios. Acho que preciso mudar.” (escolhas)
“Não gosto de ar. – Mas eu gosto. - Tá, então a gente liga e deixa esfriar e depois desliga e liga o ventilador.” (consenso)
“Vais ficar com essa cara a noite toda? – Não, afinal a gente não se vê sempre, não devia tá brigando a toa. (as D.R’s)
E quando começo a tentar ouço um barulho, e quando percebo já sinto o frio da água jogada do balde que estava nas mãos de gente inesperada, que talvez esteja enxergando o que meus olhos não conseguem ou apenas enganadas.
Permitam-me tentar, já “desadolesci”, já percebo diferença entre certo, errado e duvidoso. Já sei discernir amor, paixão, tentativa, relação saudável, amadurecimento. Deixem-me ir, preciso andar por aí e encontrar minhas próprias pedras, e desatar meus próprios laços, e dar a mão à palmatória só pra me ver arder, só pra quem sabe doer inteira e chorar uma dor sentida ou não. Eu não sei e vocês também não sabem.
Deixem-me tentar
Permitam-me readaptar.
Eu, caçador de mim...

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Um mês depois de dezessete anos...


Foi há um mês que ele reapareceu na porta da casa dela e nenhum dos dois sabia exatamente o que podia esperar um do outro. Era necessário re-conhecer para se reconhecer e se reinventar. Os jovens de dezessete anos atrás já não mais existiam. As pedras haviam se encontrado, o mundo havia girado e girado e girado e no final eram outras vidas, outras pessoas e muitas histórias pra contar: filhos, casamentos desfeitos, namoros malfadados, conquistas, outras personalidades. Ele já não ouvia mais Engenheiros do Hawaii, ela já não ia mais atrás do trio. Ele tinha encurtado os  cabelos e ela deixou os seus crescerem. Ele parou de fumar, ela sequer tentou... mas mesmo assim quis o destino que eles se reencontrassem e se revisitassem. Hoje novamente juntos tentam viver uma nova história, longe dos sonhos adolescentes e perto, muito perto do que se pode chamar de maturidade. Dividem a distância mas contam com a tecnologia para os aproximarem. Quando se veem ficam felizes por não mais serem dezessete anos de distância, mas apenas 210 km e... como diria Nando Reis: "estão livres da perfeição que só faz estragos". E vão levando, tentando, ultrapassando e de vez em quando, em segredo, perguntam-se até onde podem ir e como fazem pra ficar.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Mais um ano novo

Mais um ano novo chegou pra mim. Como já falei um dia aqui, o dia 31 de dezembro é só mais uma data no calendário juliano, o meu ano novo eu considero o dia do meu aniversário.
É bom saber-se vivo, no sentido poético da palavra. É bom saber que em meio a milhares de defeitos que tenho aos 34 anos eu estou satisfeita com a pessoa que eu sou e com as escolhas que fiz. A vida é feita delas e as fazemos todos os dias: a roupa, a comida, os amigos, o canal de TV e o destino que juramos ter nas mãos são frutos de nossas escolhas.
Sou feliz pelos erros que cometi, eles sempre me lançam pra frente e eu espero continuar cruzando com meus desencontros e desacertos. Sou grata aos conselhos que recebi mesmo que não tenha seguido, por teimosia, 95% deles. De verdade, eles não devem ser dados, e quando nos pedem querem ouvir o que sua própria voz fala. Não vale a pena. Aos 34 anos gosto de ter essa personalidade forte que sai atropelando tudo o que merece ser underground e que não merece arrependimento, como os nós desfeitos.
E neste último ano foquei nas coisas que me deixam feliz, como as amizades que mantive, as que me desfiz (sim, fiquei feliz por ter feito isso. Foi um alívio!), os primos por parte de pai que reencontrei e me identifiquei e, vejam só, depois de dezessete anos, sem jamais imaginar que aconteceria, eu volto a namorar meu primeiro namorado, como uma história saída dos contos de fadas. Claro, ainda há ajustes a serem feitos, mas vamos ver até onde vai. E por esses e outros motivos algumas coisas ficaram bastante claras na minha cabeça: sim, as pedras se encontram e concordando com Shakespeare, tempo não é algo que não possa voltar para trás. Algumas coisas a gente deve deixar lá, em banho maria, até que atinjam seu ponto de servir.
Quanto a família, sou muito grata a Deus pela que Ele escolheu pra mim, mesmo com pais separados fomos criados em uma época em que valores morais contavam mais que presentes, até porque não tínhamos mesmo como viver de luxo e presente era artigo de luxo.
Quanto ao trabalho, eu gosto muito do que faço e ainda que não seja minha profissão de direito eu faço com satisfação desmedida.
Quanto a fazer aniversário, é um dia de reflexão e há anos menos comemorativo. Este ano passei com o namorado e a meia noite ganhei bolinho da chefe porque ainda estava trabalhando.
Nem tudo foi perfeito no meu ano novo, também estive muito mal por situações que aconteceram em família e que me abalaram profundamente, e me deixaram descrente do ser humano enquanto ser capaz de não fazer mal ao outro. Vi tanta maldade, tanta falsidade que fiquei excessivamente incomodada e me opus violentamente a isso.
34 anos...
Agora eu também resolvi que não quero e nem pretendo ter muito dinheiro, apenas o suficiente pra não faltar comida na mesa e sorriso no rosto da mãe.
E também já consigo, sem me adolescentizar, saber quem é meu amigo de verdade e quem não deve mais fazer parte do meu show.
E vou continuar fazendo sexo pra, quem sabe, amar.
E vou continuar errando pra quem sabe acertar.

sábado, 3 de novembro de 2012

E a gente sente saudade, sente vontade, entende que é algo que dá e passa e por isso resolve não ligar.
E não ligando fica sem saber.
E não sabendo se dispõe a esquecer.
E esquecendo deixa de viver.
E não vivendo perde a oportunidade de reconhecer que a paixão é capaz de te deixar idiota e feliz, sonhador, um quase perfeito e imbecil.
Então amarga aquele nó na garganta que não te deixa ir em busca por medo de incomodar, por medo do outro não sentir o mesmo ou algo parecido e você acabar constrangida pela falta de sentimentos que você escolheu pra que o outro sentisse por você.
E você começa a se esconder atrás de muros, a ouvir atrás da porta, a aparecer sem querer nos lugares onde outro possa estar. Começa a arrumar pretextos descabidos pra falar com as pessoas próximas a ele só pra saber o que ele tem feito.
Você não vive s história mas vive as dúvidas, os porquês.
E enquanto não passa tenta ser forte uma vez mais, porque sabe que o sentir não acaba, ele apenas se esconde e um dia é novamente derramado em um outro alguém...ou não

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Revival

"Você apareceu do nada....
Não dá pra imaginar quando é cedo ou trade demais
 pra dizer adeus, pra dizer jamais!"

Há momentos na nossa vida que a razão deixa de ter razão e as coisas não fazem o menor sentido. São as épocas do inexplicável, em que todas as suas teorias, certezas e promessas são levadas pela correnteza do rio da vida e depois você se vê revivendo ou fazendo o que jamais imaginou.
Uma dessas correntezas deu uma volta de 17 anos e voltou para me fazer banhar no improvável. Claro que a água já não era a mesma que um dia eu havia tocado, eu também havia mudado. Trouxe como bagagem um história de casamento, de filhos, de separação e, para a minha surpresa, a garrafa que carregava o pergaminho em papiro contando a nossa história de 17 anos atrás estava lá, intacta e resgatada pela memória daquele que aos 16 anos foi  meu primeiro namorado.
Não sei se já falei dele aqui. Ele era o tipo alternativo, cabelos grandes, fã de Engenheiros do Hawai e de chinelos de dedo em couro, jogadão, desleixado e o tipo inteligente que, diga-se de passagem, é a característica em um homem que mais me chama a atenção. Havia uma amiga em comum no meio do caminho, que nos apresentou e o final foi um namoro que durou um ano e meio mais ou menos até eu descobrir que ele andava ciscando em terreiro alheio. Terminei o namoro e ele acabou assumindo o namoro com essa que depois tornou-se a mulher que lhe deu dois filhos.
O nosso namoro era bonitinho e redondo, sem avanços, sem pressa. Do tipo que troca presentes e beijos normais. Do tipo somente aos finais de semana. Do tipo bicicleta estacionada na porta. Do tipo que manda cartas e que não conhecia celular. Do tipo querido diário...
Foi meu primeiro namorado e nele derramei expectativas e sonhos, nele investi tijolos e cimentos e como qualquer namorinho adolescente, com ele me decepcionei. E graças a idade que tinha eu guardei mágoas e fiquei de mal. Não queria mais olhar na cara. Derramei umas lágrimas sentidas, mas depois como era devido, as coisas tomaram o seu rumo.
Há quinze dias ele apareceu por aqui por conta de um assunto que tinha a tratar com meu irmão e perguntou por mim. A família alcoviteira informou que eu continuava solteira e ele informou do divórcio todo feliz.
No sábado, cheguei na festa da minha sobrinha e dei de cara com meu passado. E foi exatamente aí que um filme passou na minha cabeça e, graças a força do tempo e a maturidade eu me aproximei e perguntei: "Não vai levantar pra me cumprimentar?"
Ele levantou e depois nos sentamos juntos. Foi tão bom ter a oportunidade de reviver nossa história contada por dois adultos, pesada, avaliada, revisitada que nem mesmo em mil anos eu imaginaria uma oportunidade dessas que só prova o quanto o clichê que diz que o mundo é redondo e dá voltas está certo. E veja só, depois de todo esse tempo ele guardava mágoas por coisas que não aconteceram, por falsas verdades que, sabe lá quem inventou, e eu precisei me explicar porque tem coisas que não fogem disso e acredito que ele não aceitou, mas é que palavra dada é julgamento de quem ouve. Eu o entendi. Ele me pediu desculpas pelos erros e disse que me amou muito, que acreditava que iríamos mais longe, que adorava a minha família, que minha mãe era a sogra de que mais havia gostado e que nunca se aproximou porque acreditava, imagina, que eu ainda guardava mágoas. Disse que no começo eu havia, sim, ficado muito magoada e que por isso não tinha sido capaz de passar por cima da traição, mas depois veio o entendimento e eu fiquei feliz porque a pessoa com quem ele me traiu tinha dado uma família a ele, que de alguma forma ele tinha construído uma vida ao lado dela, que talvez eu não pudesse ter feito o mesmo. Ele me entendeu.
E fomos além, ele tinha o compromisso da formatura do irmão e na despedida trocamos um beijo. Isso não pudemos lembrar, eram outras bocas que ali se encostavam, mas foi bom.
Vinte minutos depois fui novamente pega de surpresa: meu telefone tocou e era ele dizendo que estava voltando porque onde estava não tinha o que ele queria. E voltou para receber a torcida e encarnação da família. E ficou, e me olhou nos olhos, e me disse o que eu jamais esperei, imaginei, cogitei: quer namorar comigo de novo?
Empalideci.
Quem ele pensa que é pra me tirar assim em poucas horas da minha zona de conforto, mexer com meus instintos, fazer com que eu reviva minha adolescência, me roubar um beijo e me fazer acreditar que recém separado ele quer viver um relacionamento com sua namorada de dezessete anos atrás? Como assim? Traz o roteiro que tô querendo editar. Juro, não fui capaz de levar isso a sério. É muita informação pra digerir em poucas horas. Fui muito franca e disse exatamente isso, então a gente desconversou e aproveitou (e como) a noite. Sem maiores detalhes...
Continuamos nos falando. Ele tem ligado esses dias.
E eu só estou pensativa e grata à vida por ter nos dado a chance de nos revisitar, nos reencontrar, nos entender, nos explicar, nos desculpar e fazer o que não fizemos no verão passado.
É vida, quanto mais tu passas por mim, menos eu saberei te explicar. Um coisa é certa: vez em quando eu adoro tuas gratas surpresas.

"O que está acontecendo? Eu estava em paz quando você chegou"

sábado, 20 de outubro de 2012

Círio

“A fé é um exercício pra vida inteira. Muitas e muitas vezes, eu me distancio incrivelmente dela, 

achando que posso resolver tudo sozinha. Não é raro nessas ocasiões, na verdade é bastante 

comum, eu me atrapalhar toda num turbilhão de emoções que me drenam a energia e o sorriso. 

Mas, toda vez que consigo acessá-la, de novo, tudo se modifica e se amplia na minha paisagem 

interna. (…) Então, faço o que me cabe e entrego, mesmo quando, por força do hábito, eu ainda dê 

uma piscadinha pra Deus e lhe diga: “Tomara que as nossas vontades coincidam”. Faço o que me

 cabe e confio que aquilo que acontecer, seja lá o que for, com certeza será o melhor, mesmo que 

algumas vezes, de cara, eu não consiga entender.” Ana Jácomo


Mais um outubro, mais uma Círio pra relatar. Você precisa vir a Belém pra sentir, já que não é possível explicar, é desnecessário querer entender. Você verá uma cidade em festa, uma cidade recoberta pela fé, pela devoção e por uma energia de paz tão intensa, que ainda que estejas com os dias miúdos, te fara forte. Você vai chorar sem saber porquê e será tomado por uma emoção tão intensa que não saberá mais viver sem. O Círio se descortina por entre essas emoções.
Este ano tive a felicidade de participar, dentre as 13 romarias, da fluvial, acompanhada por grandes amigas. E foi lindo!
Eu olhei pra mãe com o menino no colo e ela me disse: "Recebe a paz, minha filha. Segue tua vida, resiste aos percalços e descalça as sandálias somente em solo sagrado. Você não há de perder sua condição primeira: você é filha de Deus e o mais é mais"
Depois não houve mais nada que não fosse agradecer diante daquele céu imensamente azul e em festa. Lindo. Divino. E ali, diante de todo aquele clima e depois de tanto e tanto tempo eu chorei. Quando me dei conta, minhas lágrimas já se misturavam às águas do rio. Intensas, fortes, gratas pelas coisas que Deus colocou e pelo que tirou do meu caminho, da minha vida. Ele tudo sabe.
O Círio é assim. Segundo o Pe. Fábio Jesus antecipa seu nascimento dois meses antes aqui em Belém. Ele primeiro nasce aqui para dois meses depois nascer para o mundo inteiro. Disse ainda que a pergunta mais ingrata que alguém pode fazer a um paraense é: o que é o Círio? Eu concordo.
Talvez seja a sensação mais inexplicável do mundo. E eu que deixei de acreditar nas pessoas acho que neste dia as pessoas até ficam boas, mesmo aquelas que se acham superiores e melhores que outros têm a consciência que no Círio somos todos filhos, somos todos irmãos.
Agora me emociono com os show realizados no Círio Musical, na concha acústica do CAN: pe. Fábio de Melo encantou ao cantar com Fafá de Belém "Eu sou de lá", música que compôs pra filha da terra; Anjos de Resgate mais um ano dando um show de música e de pregações. Hoje teremos Adoração e Vida e eu estarei lá pra ver Walmir Alencar cantar "Abraço de Pai". É assim que me sinto no Círio: abençoada e abraçada pelo Pai.
No dia 12 fui com a minha princesinha andar de roda gigante. Eu morta de medo e ela dizendo: "bora didinha, eu sei que tu te garante!" Menina inteligente. Claro que fui, eu não poderia perder esse referencial de coragem. Depois da volta na roda fomos à igreja eu fiz comque ela dobrasse os joelhos e juntas rezamos pedindo perdão a Deus por nossos pecados. Ela fiz pedir perdão à Mãezinha por uma tolice muito feia que fez com sua mamãe.
Nessas horas agradeço a Deus por ter nascido nesta terra, mesmo com o desejo de ir embora daqui. Mas Deus sabe meus motivos e minhas andanças.
Enquanto isso, aproveito ao máximo a época. Em minha opinião, a mais linda do ano.
Feliz Círio a todos.