quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Vem ver Belém que começa a festejar



Círios
Padre Fábio de Melo

"Enquanto a corda avança e o corpo se cansa pra alma descansar
O povo de Belém se reúne nas ruas e vira mar
por onde a Virgem Maria veleja em seu altar de flores
É por isso que, na alma de todo paraense, a vida é sempre outubro..."

Meu filho, vês aquela claridade?
É a cidade na escuridão
O barco singra as águas
E pulsa feito um coração
Cheio de alegrias, bálsamos, bênção

O círio de Nazaré tu verás
Serás menino
Algo pra não esquecer
Pra colar no seu caminho
Feito o som de uma viola
Que te fez chorar baixinho
Quando vires a Senhora
Ficarás pequenininho

Diante do mistério que há
Nessa nossa vida humana
Vais crescer mais que o rio-mar
Vais voar mais que as semanas
Vais sorrir pro revelado
Fruto da emoção na boca
De que tudo é amarrado
E mundo é um, é oca

Menino, acorda e vem olhar
Que o sol não tarda em levantar
Vem ver Belém que começa a festejar
Outros outubros tu verás
E outubros guardam histórias
Ver o peso quando for a hora. 

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Citação favorita


Quando fiz meu perfil no Facebook "ele" me perguntou qual era a minha citação favorita. Naquele momento quase nada me ocorreu e escrevi qualquer coisa. Mas essa, de Mário Quintana, com certeza é minha favorita entre tantas coisas que já li e amei. É a que mais tem a minha cara, o meu jeito e os meus defeitos. Nela me inscrevo simultaneamente na liberdade, no amor, no desprendimento, no pertencimento e no descanço da alma. Ela me envolve por completo e me representa em muitos momentos. Não há melhor maneira de ter coisas e pessoas por perto do que deixando-as livre. Alguém discorda?

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Desiderata

Vá placidamente por entre o barulho e a pressa e lembre-se da paz que pode haver no silêncio.
Tanto quanto possível sem capitular, esteja de bem com todas as pessoas.
Fale a sua verdade calma e claramente e escute os outros, mesmo os estúpidos e ignorantes; também eles têm a sua história.
Evite pessoas barulhentas e agressivas, elas são tormentos para o espírito.
Se você se comparar aos outros pode tornar-se vaidoso e amargo, porque sempre haverá pessoas superiores e inferiores a você.
Desfrute suas conquistas assim como seus planos.
Mantenha-se interessado em sua própria carreira, mesmo que humilde; é o que realmente se possui na sorte incerta dos tempos.
Exercite a cautela nos negócios porque o mundo é cheio de artifícios. Mas não deixe que isso o torne cego à virtude que existe.

Muitas pessoas lutam por altas idéias e por toda parte a vida é cheia de heroísmo.
Seja você mesmo, não finja afeição nem seja cínico sobre o amor, porque em face de toda aridez e desencadeamento ele é perene como a grama.
Aceite gentilmente o conselho dos anos, renunciando com benevolência as coisas da juventude.
Cultive a força do espírito para proteger-se num infortúnio inesperado, mas não se desgaste com os temores imaginários; muitos medos nascem da fadiga e da solidão.
Acima de uma benéfica disciplina seja bondoso consigo mesmo.
Você é filho do universo, não menos que as árvores e as estrelas; você tem o direito de estar aqui.
E que seja claro ou não para você, sem dúvida o universo se desenrola como deveria.
Portanto, esteja em paz com Deus, qualquer que seja sua forma de concebê-lo. E sejam quais forem sua lida e suas aspirações na barulhenta confusão da vida, mantenha-se em paz com a alma.
Com todos os enganos, penas e sonhos desfeitos, este é ainda um mundo maravilhoso. Esteja atento.


Pessoa...

domingo, 18 de setembro de 2011

Pra fechar o domingo


Desde muito pequena aprendi alguns valores, tipo: seja educada, não pegue o que não lhe pertence, devolva o que não é seu, seja livre de preconceitos, estude, respeite os outros e principalmente seus pais e etecetera, etecetera, etecetera...
Acho que ao longo dos anos não desaprendi, talvez tenha me tornado apenas um pouco mais intolerante, seletiva e ainda, melhorado com minhas próprias cabeçadas. Entretanto, peço mil desculpas aos maternalistas de plantão, mas devo confessar que: acabo de gritar com a minha mãe. Claro que isso deve vir acoplado a um negócio chamado motivo. Eu tenho.
Não sei se toda vó é assim, mas a minha mãe é um troço über super protetora de uma neta que dá nó no trilho e esconde a ponta.
Aqui em casa sempre tivemos problemas com espaço. Parece que moro numa kit net. Por esse motivo, um dia arrumei as malas e fui, mas voltei. Porque agora quem saiu foi a minha irmã. Mas vai voltar, e foi esse voltar o estopim de toda a confusão. Não acredito que eu seja a única pessoa que não goste que mexam nas suas coisas, sei que não sou e revelo uma coisa: minha sobrinha tem uma mãozinha super nervosa. Já até ensaiou riscar meus livros. Imaginem meu estado de pânico! Isso, e otras cositas más foi razão para eu ter trocado a porta do meu quarto, antes "intrancável".
Ainda há pouco a pequena quase quebra a tela do PC com os botões pesados do seu inocente macacãozinho, jogado de forma proposital na máquina. Daí eu a expulsei do quarto.
Então lá vem a super vovó com seu senso de super heroina me dá gritos e sermões. Não aguentei, pois D. Nazaré é reincidente no crime. Da outra vez me fez ouvir os piores absurdos, os quais não tenho coragem de reproduzir aqui. Me adjetivou tão mal que eu quase acreditei ser tudo aquilo, afinal, ela é minha mãe. Quem há de me conhecer melhor?
O fato, caríssimos, é que estou farta desse "vóternalismo" enlouquecedor, que me descredencia e me faz sentir uma estranha no ninho, reforçando o desejo de NÃO ser mãe. Aliado a isso ainda tem o remorso, fruto dos valores comentados no início desta prosa. Cresci ouvindo: "respeita a tua mãe".
Agora estou aqui, trancada no meu infinito particular me sentindo uma estúpida, mas também não aceitando que se passe a mão na cabeça de uma criança tola que não sabe seus limites. Pois também aprendi um dia desses...
"QUE PRECISAMOS EDUCAR AS CRIANÇAS PARA NÃO PRECISAR PUNIR ADULTOS"
Não quero ter razão, apenas ser ouvida.

Sobre mais uma de minhas intolerâncias...


Há três tipos de ser humano que eu abomino: o arrogante, o prepotente e o egocêntrico (ou o pior deles, que são os três juntos). Carregar esses defeitinhos nada básicos caracterizam o que eu chamo de mau caratismo. E tenho visto com mais frequencia do que gostaria, pessoas que carregam em suas personalidades esses aleijamentos cerebrais.
Ei, psiu, pra você que ainda não se tocou, fica a dica: o mundo não gira em torno de você, logo, você não é melhor que ninguém. Se quer superar alguém, supere-se! Você ainda tem muito chão de terra batida pra andar. Sorry, baby!
Detesto ouvir gabações extremadas e empolgadas de quem fez algo por obrigação e jura que modificou a nação. Detesto quem passa pelo porteiro, faxineiro, ascensorista e não diz "bom dia" por achar que isso macula sua "superioridade". Detesto quem subestima a inteligência alheia explicando mais de nove vezes como se abre o carro com alarme e como se fecha, cncluindo com a petulante pergunta: entendeu ou quer que eu desenhe? Detesto quem sai por aí destratando aqueles que lhes servem e distribuindo suas patadas. Mas, infeliz e lamentavelmente o mundo está cheio de Terezas Cristinas e Anteores por aí. A primeira que acha que seu dinheiro pode tudo, que seu status (afinal, quem inventou essa bosta de palavra?) lhe confere o direito da humilhação, o segundo que seu curso de medicina já o faz médico ou melhor que os irmãos em caminhos profissionais 'menos atraentes" e por isso os subestima e ainda foi capaz até mesmo de renegar a própria mãe.
Eu sou adepta da célebre frase:
"Tô cagando e andando"
Acho que todo mundo, mas todo mundo mesmo deveria ter primeiro experimentado a pobreza material antes de ter subido na vida. Assim teriam muito mais riqueza interior e entenderiam que o que é de Cezar, é de Cezar, e o que é de Deus, é sagrado e por isso mesmo merece ser respeitado, valorizado, regado.
Desça do seu pedestal agocêntrico e entenda que no final só há dois caminhos: ou vira fogueira, fumaça e pó ou banquete de tapuru embaixo da terra. Mas não me venha bostejar em meus ouvidos, eles foram feitos pra ouvir Chico, pendurar meus baratíssimos aços e bijus, escutar os "eu te amo" da vida, não para ouvir você dizer que algo aconteceu graças a você, que você é phodda, o cara ou ainda que eu não sou ninguém. Cuidado com sua imagem refletida no lago, você pode morrer afogado se tentar beijá-la e não souber nadar.
Gentileza continua gerando gentileza ainda que a palavra no muro tenha sido coberta de tinta.

O amor que a vida traz

Você gostaria de ter um amor que fosse estável, divertido e fácil. O objeto desse amor nem precisaria ser muito bonito, nem rico. Uma pessoa bacana, que te adorasse e fosse parceira já estaria mais do que bom. Você quer um amor assim. É pedir muito? Ora, você está sendo até modesto.

O problema é que todos imaginam um amor a seu modo, um amor cheio de pré-requisitos. Ao analisar o currículo do candidato, alguns itens de fábrica não podem faltar. O seu amor tem que gostar um pouco de cinema, nem que seja pra assistir em casa, no DVD. E seria bom que gostasse dos seus amigos. E precisa ter um objetivo na vida. Bom humor, sim, bom humor não pode faltar. Não é querer demais, é? Ninguém está pedindo um piloto de Fórmula 1 ou uma capa da Playboy. Basta um amor desses fabricados em série, não pode ser tão impossível.

Aí a vida bate à sua porta e entrega um amor que não tem nada a ver com o que você queria. Será que se enganou de endereço? Não. Está tudo certinho, confira o protocolo. Esse é o amor que lhe cabe. É seu. Se não gostar, pode colocar no lixo, pode passar adiante, faça o que quiser. A entrega está feita, assine aqui, adeus.

E agora está você aí, com esse amor que não estava nos planos. Um amor que não é a sua cara, que não lembra em nada um amor idealizado. E, por isso mesmo, um amor que deixa você em pânico e em êxtase. Tudo diferente do que você um dia supôs, um amor que te perturba e te exige, que não aceita as regras que você estipulou. Um amor que a cada manhã faz você pensar que de hoje não passa, mas a noite chega e esse amor perdura, um amor movido por discussões que você não esperava enfrentar e por beijos para os quais nem imaginava ter tanto fôlego. Um amor errado como aqueles que dizem que devemos aproveitar enquanto não encontramos o certo, e o certo era aquele outro que você havia solicitado, mas a vida, que é péssima em atender pedidos, lhe trouxe esse e conforme-se, saboreie esse presente, esse suspense, esse nonsense, esse amor que você desconfia que não lhe pertence. Aquele amor em formato de coração, amor com licor, amor de caixinha, não apareceu. Olhe pra você vivendo esse amor a granel, esse amor escarcéu, não era bem isso que você desejava, mas é o amor que lhe foi destinado, o amor que começou por telefone, o amor que começou pela Internet, que esbarrou em você no elevador, o amor que era pra não vingar e virou compromisso, olha você tendo que explicar o que não se explica, você nunca havia se dado conta de que amor não se pede, não se especifica, não se experimenta em loja – ah, este me serviu direitinho!

Aquele amor corretinho por você tão sonhado vai parar na porta de alguém que despreza amores corretos, repare em como a vida é astuciosa. Assim são as entregas de amor, todas como se viessem num caminhão da sorte, uma promoção de domingo, um prêmio buzinando lá fora, mesmo você nunca tendo apostado. Aquele amor que você encomendou não veio, parabéns! Agradeça e aproveite o que lhe foi entregue por sorteio.


Martha Medeiros

domingo, 11 de setembro de 2011

Prova de Amor

Há coisas tão bonitas que acontecem em nossas vidas que mesmo com pedidos, não dá pra guardar em segredo. Por isso vou compratilhar.
De antemão preciso esclarecer que ao mesmo tempo em que fiquei feliz me senti mal.
Tenho uma amiga de alma, já contei aqui.
Na semana passada, graças a minha nova rotina, recebi algumas ligações da minha amiga que foram rejeitadas por eu verdadeiramente não poder atender. Recebi mensagens também, mas minha doce memória falha me fez esquecer a resposta, e com isso os dias se passaram.
Quando ela some, eu me aborreço e brigo com ela dizendo tolamente: "tu me abandonou! Não me ama mais". Imagina. Não é possível nosso amor acabar nem cair no esquecimento. Somos ligadas por algo que tá bem além da matéria. Tivemos infância igualmente difícil, regrada de riquezas materiais, mas regada do mais puro amor e repleta de valores que hoje já não vemos com tanta facilidade.
No ano passado, estava em Salina quando sofri um assalto em que fiquei trancada junto com outra família que amo enquanto os ladrões farreavam. Ela pressentiu meu perigo e há quase 4 horas de distância de mim sabia que eu estava em perigo.
Se alguém a magoa, eu sinto na pele, sinto ódio, quero esfolar, mandar pro espaço.
Ela é meu picolézinho de chuchu. Sem gracinha, mas muito amada.
A mãe dela é também minha.
Elas cuidam tão bem de mim.
Na casa delas tenho um cantinho acolhedor, inde me sinto muito amada.
Pois bem, ontem, depois da história das ligações sem retorno apareci de surpresa na casa dela.
Ela me recebeu chorando.
Achava que eu estava com raiva dela e que evitava o contato.
Me abraçou tão forte, mas tão forte que eu pude sentir o impalpável: o amor que tem por mim.
Me chamou de tosca e me pediu pra não fazer mais isso com ela.
Chamei ela de tola e repeti que a amo, como sempre faço.
Tadinha. Tão linda minha pequena Gigi de Poli. Como pude fazer isso com ela? Não merece.
Se ela ler esse texto, quero que saiba e entenda de uma vez por todas que meu amor por ela impede que lhe faça mal de propósito. Quero que saiba e entenda que é minha irmã de alma. Por quem torço, por quem peço a Deus proteção, por quem vibro com as vitórias e conquistas, por quem fico feliz. É quem defendo com toda a minha estupidez, é quem carregaria no colo mil vezes se necessário fosse, é quem proíbo de não ser feliz.
Vê-la chorar me fez feliz por ser prova de amor, mas me deixou mal por fazer com que se sentisse mal.
Eu te amo amiga!
Absurdamente...


sábado, 10 de setembro de 2011