sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Então...é Natal


A época é a mais bonita de todas e a data  a mais importante do calendário Juliano. Estou no shopping, trabalhando...e a única impressão que consigo ter é de um Natal de presentes (e o menino lá com seu incenso, ouro e mirra...), de preocupações com a roupa a se vestir (e o menino lá, desnudo em sua manjedoura...). Um corre corre desenfreado pelo melhor par de sapatos ( e o menino lá, descalço e sinalizando: "tire as sandálias dos pés, pois o lugar em que pisas é santo!"). Pessoas no Natal se perdoam, pedem desculpas, fazem as pazes (e o menino lá, veio para perdoar sem época, sem data, sem censura).
É Natal. E o que você fez pra lembrar que, na verdade, o que impora é que há mais de dois mil anos O menino nasceu? Muitos se lembram dos presentes, da ceia, dos perdões. Mas quantos se lembram do verdadeiro aniversariante. Muitos correm pra uma foto com o Papai Noel, mas correm do Papai do Céu. Celebram, cantam, dançam, embriagam-se, mas não unem as mãos pra fazer uma oração e agradecer pelo bem que ainda resta. O mundo anda tão cheio de coisas sujas, feias, absurdas, desumanas.
Que todos possamos fixar os olhos nos olhos do menino, e entender que o Natal é Ele, que ainda hoje, depois de tantos séculos, segue buscando onde nascer.
Ofereça-lhe lugar em seu coração e conhecerá o verdadeiro, puro e único significado do Natal:
Nasceu Jesus, nosso Salvador!

domingo, 18 de dezembro de 2011

O xote da menina

A menina quando nasceu na seca anunciou que era hora de cessarem as lágrimas. Depois da semente que não havia germinado quis Deus ofertar a oportunidade de uma nova crescer e fulorecê. Como era dengosa a menina que demorou, demorou e demorou a enjoar da boneca quando o amor chegou no coração. Distribuía chamego, amizade, carinho e fidelidade. Era tola, ingênua, "cabôca" e feliz. Fazia tamancos de lata de leite com corda de sisal pra deixar de lado meias compridas e sapatos baixos em seu toc toc quase galopante pelo "xagão" da vó materna. De mentira e de verdade começou a trabalhar cedo: primeiro das plantas, pedras, areia, frutas e árvores de um quintal que nada se parecia com Sertão fazia sua taberna e "vendia" seus produtos ao primo-irmão; depois,a  convite, recebeu seu primeiro "salário": R$80,00 divididos semanalmente que a fez deixar de lado o gibão. Apaixonou-se pela primeira vez. Vivia suspirando, sonhando acordada, mas o pai nem podia saber disso. Como era brabo o velho! Por isso a menina sempre comeu, estudou, dormiu e quis alguma coisa.
Continuava meiga, alegre, sorridente e feliz, mas nada de só querer saber e pensar em namorar, casar etc. Tanto que o doutor só examinou a menina muito tarde, já tinha há muito virado mulher num episodio que a menina não se conformava. Não queria virar mulher, ainda tinha muito o que brincar, era o que pensava. Mas quando entendeu...de manhã cedo já estava pintada a espera do sapo encantado.
A menina cresceu, namorou, amou e foi amada. Só amou, só foi amada e quase casada. Dividiu o teto, a escova, as certezas e as mancadas. Fez amigos eternos, fez amigos de fachada. Conheceu o bom, o belo, o contrário de bonito. Caminhou acompanhada e muitas vezes sozinha. Ganhou forças e dividiu fraquezas. Aprendeu e desaprendeu pra continuar caminhando pelo desconhecido. Endureceu, até que a chuva nunca mais chegou no sertão.
É só seca.

sábado, 3 de dezembro de 2011

O pedido a Deus

Eu sempre fui testemunha de vários pedidos a Deus.
Coerentes, absurdos ou louváveis foram igualmente respeitados, afinal, quem na qualidade de cristão ousa atrapalhar uma conversa com Ele? Eu não. Mas confesso que hoje fui interrompida por um depoimento de vida lindo, aquebrantador e que envolve O pedido a Deus. Não se trata de um pedido qualquer.
Quem visita este espaço sabe do quanto caminhei pra chegar até aqui (mesmo não tendo ido tão longe assim) graças a estrutura familiar em que nasci e fui criada. Pra quem não leu ou leu e esqueceu, conto novamente que minha mãe não teve muita oportunidade na vida pra avançar os estudos, e isso lhe rendeu ofícios de dona de casa, ajudante de cozinha, babá etc. Sempre recompensada com um salário minguado e uma mãe que não a ajudou ainda que pudesse. O motivo: ciúmes do meu avô e o fato de não gostar do meu pai.
Pois bem, após anos de labuta e parca remuneração eis que minha avó falece e a pensão que ela recebia passa a ser dividida entre as 3 filhas do meu avô e... graças a Deus, entre elas estava mamãe. Nesse tempo eu e meus 2 irmãos já trabalhávamos e pudemos assim melhorar de vida. Nos despedimos (espero que definitivamente) da situação de pobreza. Ninguém enriqueceu, mas já podemos ter sabonete no banheiro e almoçar muitas coisas além de manga ou 200g de arroz, graças a Deus!
Hoje, acordei com o barulho da mamãe chegando de sua consulta médica e contando que estava feliz porque o médico era bom, atencioso e que havia lhe pedido alguns exames de rotina. A felicidade também representava satisfação em poder ter um plano de saúde pra poder colaborar com seu pedido.

"Sabe, minha filha, eu peço todos os dias pra Deus me dar minha saúde. Porque, poxa, né filha, agora eu posso viver melhor, tenho minha casa direitinha, posso saborear as comidas que eu gosto, tenho minhas netas. Eu queria tanto que Deus me deixasse viver porque custou tanto pra eu ter essas coisas que eu te juro, minha filha, eu só queria poder aproveitar isso."

O pedido de minha mãe foi o mais lindo que já ouvi.
Minha mãe pede pra viver, pra poder vivenciar o que a vida até pouco tempo ainda não lhe tinha ofertado: netas, uma "casa direitinha" e a comida de que gosta.
Então eu reforço:
Papai do Céu, escutai o seu pedido.
Amém.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

"Pacto pela vida...

...cada um cuida da sua".
Essa é uma de minhas frases favoritas e de vez em quando ela fica exposta em minhas home pages.
Admitidamente, trata-se de uma frase egoísta não só para mim, mas para você também que já deve ter sido "vítima" da fofoca alheia. Mas...feche as mãos e coloque o polegar no peito pra admitir: "eu também já perdi alguns andares de ponteiro do relógio com pré julgamentos e fofocas sobre vida alheia". Vai, força! Coloque a hipocrizia de lado e o dedão no peito, se preferir, espalme as mãos e coloque-a na consciência.
Você não é santo(a).
Melhor, você é humano.
O pior é que quando acontece conosco somos acometidos de uma ira desmedida, que promete desmascarar e enfrentar Deus-e-o-mundo em prol da preservação de nossa face. Nos indignamos.
Por que tocar nesse assunto? Por que tocar nessa ferida?
Observação e decisão.
É bem provável que não consiga, mas não me furtarei o direito de tentar fazer diferente e abrir esse ciclo que pelo motivo explicado sempre se fecha: eu me dou o direito de falar da sua vida e você fala do outro, ou concorda, ou refuta ou ou ou...e o elo se fecha ou o bater de asas de uma borboleta...enfim.
É que sempre recriminei um estilo de vida baseado no "viver de aparências" de pessoas muito próximas a mim e, vejam só, pessoas de que gosto muito. Recriminei os excessos de mentiras protagonizadas desnecessáriamente por outra pessoa de quem não deixo esqueço ou largo o contato e percebi que são felizes assim: com seus defeitos e virtudes, como todos somos e, no primeiro caso, vi tanta felicidade em estar no meio das aparências como se daquele mundo fizesse parte que já não cabe a mim decidir ou julgar o que é certo ou errado, aliás, conceitos bem subjetivos. E a mentira, quando criada, cria um mundo inteiro que cerca o outro, que assim constroi o seu infinito particular, e há tanta "verdade" no contar inverdades ou forjar os fatos que acaba por torna-los críveis ao menos para si que mais uma vez não cabe a mim o tribunal, apenas o não acreditar (e a já sou adulta e madura o suficiente para isso).
Deus nos fez assim, tão iguais e tão diferentes que eu gosto de meninos, você gosta de meninas e há quem prefira os dois. Quem está certo? Cada um vive a seu modo e isso não deveria importar a ninguém já que o dia tem apenas 24h e uma boa parte dele você está dormindo. Enquanto os olhos estiverem abertos, apenas piscando, não vale a pena o desperdício de um comentário mal fadado, de um julgamento baseado em seus conceitos e em suas verdades.
Dê-se o direito de se indignar, mas por favor, não me vá bostejar.
Assim sendo, pretendo que o "pacto" não seja apenas um ato de egoísmo ou um falso heroísmo, mas ao menos uma intenção de verdade, ainda que o grito na garganta emudeça, pois só pra variar, o que é certo, justo, bom ou ruim para mim, pode não ser pra você, baby.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Conversa franca

Olá planos, como vão? Olá sonhos, como estão?
Sei que andei um tanto ausente, ao acaso.
É que o tempo, esse malvado, amigo, tem me faltado.
Deve ter ido ao Japão esse senhor que, dizem, tudo resolve.
Creio mesmo é que se dissolve e dissolve os planos, os sonhos, os nãos.
Lhes faço visitas constantes.
Lhes tenho vontades cortantes.
Mas veja que ironia: estante e cabeça cheias e pernas fracas, claudicantes.
Oi tempo, seu infeliz. Erra teu dardo
Diminui as olheiras, as canseiras, os descasos.
E preste atenção, seu moço!
Aqui, nesse tempo, que não te pertence.
Há um tempo resguardado pra se livrar dos fardos
Pra te dizer que não és senhor, és menino.
Não amadureces, apenas passas o tempo.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Meu ano novo!

"Deixei de ser uma pessoa assustada e defendida, para aprender que não se morre de intensidade. Morre-se, ao contrário, pelo embrutecimento. Deve ser por isso que hoje a medida das coisas muitas vezes me escapa. Quando a gente perde a delicadeza de se deixar mobilizar pelo entorno e recupera isso depois, o valor dos sentimentos se eleva. E pega-se gosto na brincadeira, quero despencar em vertigem de dor até o fundo do poço, e quero subir gargalhando até o infinito supremo, e quero me largar nesse amor feito de canoa no mar, e quero e quero e quero mais. O sentimento intenso te bota no presente com a força de um soco cósmico. É o nirvana, o samadhi, um estado sublime que arranca a gente do todo pra jogar lá dentro do ser. Quando o mundo fica bobo, não é nada mal se entregar assim. Sensações podem ser prazerosas ou ruins e fazem a gente palpitar, mas elas vêm de fora, e por isso os sentimentos a meu ver lhes são superiores, brotam por dentro, e não há um igual a outro."

Sabe lá o que Maitê (Proença) fumou ou ingeriu pra escrever esse trecho do livro "Uma vida inventada". O que sei é que amei. Mais que isso, me identifiquei e decidi dedicar o trecho para homenagar meu ano novo, que chegará daqui há poucos dias. Nada de balanços ou de dizer como sou ou deixei de ser. Mais um ano chegou desde que nasci, há quase 33 anos e ponto.
Aqui já me despi, me vesti, me perdi e me encontrei. quem me lê me conhece, quem convive ainda mais, graças ao meu eterno estado de água. Transparência pura.
Sim, ainda há algumas coisas a ajustar, mas o que já vivi me faz inteira. Isso é certo.
O que resta é AGRADECER:
A Deus por ainda me permitir ter os que amo a meu lado.
Aos que amo, por ainda estarem a meu lado mesmo com todos os meus defeitos de fábrica e irreparáveis.
Aos meus defeitos, pois um filósofo me ensinou que cortá-los pode ser perigoso, posso expurgar um que sustenta meu edifício inteiro.
Ao meu edifício moral, que não me permitiu ser desonesta e desumana.
Aos meus humanos pais, que me possibilitaram viver.
A vida, que tanto me ensina.
Aos ensinamentos recebidos, seja por meio de palavras ditas, fatos ocorridos ou livros que li.
Aos meus livros, por quem nutro amor.
Ao amor que senti por tudo e todos.
A todos, enfim, que me fizeram amar, ler, aprender, viver, nascer, ser humana, ser honesta, ter defeitos e entender que sem Deus, nada sou.

sábado, 29 de outubro de 2011

Drão

Drão!
O amor da gente
É como um grão
Uma semente de ilusão
Tem que morrer pra germinar
Plantar nalgum lugar
Ressuscitar no chão
Nossa semeadura
Quem poderá fazer
Aquele amor morrer
Nossa caminhadura
Dura caminhada
Pela estrada escura...

Drão!
Não pense na separação
Não despedace o coração
O verdadeiro amor é vão
Estende-se infinito
Imenso monolito
Nossa arquitetura
Quem poderá fazer
Aquele amor morrer
Nossa caminhadura
Cama de tatame
Pela vida afora

Drão!
Os meninos são todos sãos
Os pecados são todos meus
Deus sabe a minha confissão
Não há o que perdoar
Por isso mesmo é que há de haver mais compaixão
Quem poderá fazer
Aquele amor morrer
Se o amor é como um grão
Morre, nasce trigo
Vive, morre pão
Gilberto Gil

Se eu fosse você.

"A vida é sempre a mesma para todos: rede de ilusões e desenganos. O quadro é único, a moldura é que é diferente."
 Florbela Espanca

Se um dia alguém lhe fez a pergunta "se você não fosse você, quem gostaria de ser?", aposto que você educadamente respondeu: " gostaria de ser eu mesma, estou satisfeita."
Fico feliz se a resposta for verdadeira, afinal, viver nossa vida e estar satisfeita com ela é o que aprovam os padrões sociais, culturais e divinos.
Eu não, hoje descobri que eu não gostaria de ser eu. Eu gostaria de ser outra pessoa.
Gostaria de ser uma pessoa que há quatro anos não tem paz. Uma pessoa que vive na iminência de ficar desempregada. Uma pessoa que, tendo nascido pobre, escolheu uma profissão pouco rentável e só valorizada nos altos escalões do clero, onde de frente com a realidade, é um lugar bem dificil de chegar. Uma pessoa que teve um filho que dá um enorme trabalho, fazendo sugar  no fim do dia o que ainda resta de força num corpo cansado de tanto trabalho. Uma pessoa que casou com alguém que desconhece o respeito, o companheirismo e a responsabilidade, que há muito perdeu a paciência e o amor (se é que ele um dia existiu). Uma pessoa que sofre humilhações terríveis de um pajé que conhece categoricamente o verbo subestimar. Uma pessoa que, com uma frequência bem maior que o normal, sempre é traída por seus "amigos". Uma pessoa frágil, sofrida e que, sendo humana, carrega um lamentável defeito: tem medo de morrer. E graças ao medo de morrer tem medo de adoecer. E por ter medo de adoecer tem medo de não ter plano de saúde particular se perder o emprego. E se perder o emprego tem medo de ser sustentada por aquele marido citado anteriormente enquanto o ciclo vai se fechando.
Se eu fosse essa pessoa eu certamente não seria feliz. Mas ficaria feliz por poder realizar a troca.
É que as vezes amamos tanto alguém, que gostaríamos de verdadeiramente inverter os papeis pra poder livrar esse alguém da dor que insiste em perdurar.
Se eu fosse você, não tentaria entender, nem julgar, apenas teria a sensibilidade de respeitar um amor sem medidas nem consequencias, e que é puro sangue.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

"...sou um par em conflito. Um eu que deseja fugir e outro eu que deseja ficar. Um eu que sofre e outro eu que disfarça. Um eu que pensa de uma forma e outro eu que discorda. Um eu que gosta de estar sozinho e outro eu que precisa amar. Nada de “pareja perfecta”, e sim caótica.

Uma relação tranquila consigo mesmo talvez passe pela conscientização de que não devemos dar tanto ouvido às nossas vozes internas e que mais vale nos reconhecermos ímpares e imperfeitos por natureza.

A vida só se tornará mais leve e divertida se pararmos de nos autoconsumir com tanta ganância e darmos uma olhadinha para fora. A gente perde muito tempo pensando na nossa imagem, no nosso futuro, nos nossos problemas, nas nossas vitórias, no nosso umbigo. Até que um dia acordamos asfixiados, enjoados, sem ânimo e sem paciência para continuar sustentando a pose, correspondendo às expectativas, buscando metas irreais, vivendo de frente pro espelho e de costas pro mundo.

É a era do egocentrismo, somos vítimas de um encantamento por nós mesmos, mas, como toda relação, essa também desgasta. Fazer o quê? Esquecer um pouco de quem se é, esquecer da primeira pessoa do singular, das nossas existências isoladas, e pensar mais no que representamos todos juntos. Ando cansada de tantos eus, inclusive do meu."

Martha Medeiros - "Intoxicados pelo eu", do Livro Feliz por Nada

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Mudaram as estações...

...E nada mudou, apesar de eu ter iniciado hoje uma nova rotina, percebi que a vida segue ciclos que se fecham de forma linear. Hoje foram 12 horas de trabalho sem nenhum minuto de aborrecimento. E este estado de espírito me tem sido tão raro que merecia um post.
Nada mudou porque continuo trabalhando muito e direito apesar de achar que não vou conseguir, que tudo vai se complicar e todos os meus hiperbolismos sentimentais.
O meu amor também não mudou, apesar de acharem que não se trata de amor. Ué, mas o amor costuma ter apenas uma face? Perdeu a dicotomia e virou simplesnte amor? Não creio. Do contrário, meu parco conhecimento linguístico não me permite nominar.
Mudaram as estações de parada obrigatória do dia. Acresceu-se mais uma que por muito tempo marcou meus dias e me fez lembrar tanta coisa vivida naquele lugar: os amigos feitos, o aprendizado, as tardes à espera de uma carona até a faculdade, as paixões platônicas e posteriormente realizadas, o contato com as verdadeiras misérias do ser humano.
Volto ao lugar onde me fiz crescer como profissional, onde experienciei o sabor da luta com um salário que nada pagava, mas que acabou me permitindo usar uma beca ao fim do curso.
Nada mudou porque continuo com o cordão umbilical atado há quase 13 anos em um mesmo ponto de apoio que me deixa confusa, grata, feliz, aborrecida e embotada em sentimentos diversos.
Mas eu sei que alguma coisa anteceu:
Nunca tive tanta certeza que o pra sempre sempre acaba!

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Sobre RESPEITO

Há muito tempo aprendi uma preciosidade:
Na lei dos homens e PRINCIPALENTE na lei de Deus TODOS SOMOS IGUAIS
O que me espanta nessa certeza é o fato de ela não ser fato, além de provas que desvirtuam essas leis. Hoje fui premiada com um "delicioso" chá de cadeira de exatas 4 horas e 40 minutos.
Sabe-se que qualquer ser humano tem um limite de paciência, uns menos outros mais, mas nenhum 100%. Acho que tô no meio do caminho. Pois bem.
Hoje desejei pela primeira vez na vida ter Passarinho no sobrenome e não no coração, pois percebi que teu sobrenome em muitos casos se sobrepõe a qualquer outra qualidade que tenhas. Para mim carga valorativa reside justamente no impalpável: respeito, amor, educação, humanidade, amizade, sinceridade, fé. Um sapato, uma bolsa ou qualquer outra coisa assinada por um sobrenome para mim são apenas COISAS.
Nessa espera desrespeitosa o que ví foram ternos, bolsas, sobrenomes e sapatos passarem na minha frente enquanto eu procurava o que fazer. Pra minha sorte havia um livro na bolsa e um celular cheio de telefones que já não mais estão ativos. Isso me ocupou. Mas o desrespeito do "plantão" não foi esquecido. Na metade da espera um amigo sentou a meu lado e carinhosamente comentou: - "É chato esperar tanto tempo, né? E pensar que as vezes a pessoa entra e ainda não tem uma resposta positiva. É ralado, né querida?!"
É. É ralado, é foda, é revoltante!!!  Sequer uma satisfação era dada enquanto os ponteiros pouco avançavam. Enquanto isso muito trabalho ficava atravancado a minha espera e eu ali, sentada até que não aguentei mais e percebi que do canto externo dos olhos uma minúscula lágrima ia se apresentado como sinal do meu cansaço, minha revolta e meu sentimento de humilhação.
Quando finalmente fui recebida (colocada no penúlimo lugar da "fila") percebi alí um despropósito na minha presença e a ausência de soluções.
Saí dali entre o caos, a revolta, a fome e o desejo infinito e rotineiro de dar um tempo em outras paragens pra ver se a vida muda de estrada, de arquipélago, de geografia, de roteiro, de gaveta. As lágrimas deram uma engrossada e aumentaram a frequência. A torneira foi ligada e o coração esvaziado, endurecendo um pouquinho mais, descrendo um pouquinho mais e percebendo que não importa o quanto você valoriza o bem, os valores morais, o famigerado amor; sempre haverá um filho-da-puta pra criar o antagonismo e tornar o mundo mais podre.
Fico por aqui, antes que meu pote transborde.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O Círio de Nazaré na Visão Espírita



Círio de Nazaré
  A fé e a emoção coletiva que falam mais que as dúvidas e a intolerância. Todo mês de outubro em Belém, capital paraense, ocorre a maior festa religiosa do Brasil e também do planeta. Trata-se do Círio de Nazaré. Apenas a título de curiosidade, conheceremos um pouco da história da festa antes de entrarmos na questão moral, relativa à mesma. Conta a história que em 1700, um homem chamado Plácido teria encontrado entre as pedras uma imagem de Maria – mãe do Cristo – em madeira, medindo aproximadamente 28 centímetros. Ela estava  amamentando seu filho. Plácido então, resolveu limpá-la e dar-lhe um altar na própria casa. No entanto, por diversas vezes, a imagem retornava ao lugar onde fora encontrada. Interpretando tal fato como milagre, Plácido resolveu construir uma pequena ermida no lugar onde fora encontrada. Neste lugar hoje se encontra a basílica de Nazaré. A imagem atraía tamanha atenção do povo que o governador da época, Francisco Coutinho, determinou  sua remoção para o palácio da cidade, em Belém, colocando inclusive, guardas para vigiá-la durante as 24 horas do dia. Não demorou muito, e segundo a história, a imagem retornou a pequena ermida. A partir desse momento, a devoção tornou-se ainda maior na região originando-se, em 1773, na festa do Círio de Nazaré.Engana-se quem imagina que adentraremos na questão do culto a imagens, seria superficial e injusto classificar ilegítima uma festa de mais de 200 anos, a qual atrai mais de 2 milhões de pessoas, por uma questão de sincretismo religioso. Igualmente, não destacaremos os excessos cometidos por alguns nesta festa, diga-se o consumo de álcool, ou ainda a questão da maceração física, também praticada por outros. Há muito mais por trás do Círio de Nazaré.Quantas são as oportunidades de visualizarmos uma manifestação religiosa de prática do catolicismo reunindo não apenas católicos, mas evangélicos, espíritas, umbandistas, etc.?  Até os que não tem religião determinada, comparecem todo ano ao encontro com a festa religiosa. O Círio não pertence a determinada religião, está acima disso. Ele pertence ao povo que o realiza e que o considera tão importante quanto o natal. O  Círio é de todos. Nele, não existe padre nem pastor, pobre ou rico, o negro ou o branco. Todos querem contribuir no percurso em que a berlinda com a imagem de Maria percorre e homenageá-la. Tal fato nos revela que é possível a convivência entre as religiões sem agressões ou querelas, sem acusações ou imposições, basta apenas que algo acima se manifeste: A Fé.A nós espíritas, não pensemos que o plano espiritual encontra-se cego ou ausente a tal manifestação. Nos é relatado que as legiões do bem são acionadas para a assepsia fluídica da cidade, envolvendo os fiéis para que todos que ali estão movidos por um sentimento de amor sintam-se melhores. Existe um envolvimento espiritual das falanges do bem em favor da cidade e igualmente dos romeiros, como são chamados aqueles que acompanham a berlinda. Alguns irmãos dotados da vidência igualmente relatam uma entidade, enviada direta de Maria, no lugar onde se encontra a imagem da santa, a distribuir bênçãos e fluidos de amor aos fiéis. As palavras não definem o alcance e o significado sentimental da festa. É necessária a presença no local para o entendimento de tamanha emoção com a passagem da imagem da santa e também do significado do almoço do Círio, símbolo de união da família em forma de alegria e agradecimentos pelo momento vivido.Não é fácil compreender o Círio como fenômeno de fé. O sentimento é tão contagiante e verdadeiro quanto inexplicável, não entendemos a emoção gratuita das pessoas, não sabemos se as lágrimas são fruto do alcance de uma “graça”, um pedido atendido, a cura de uma doença, uma dificuldade vencida, ou a simples emoção coletiva que toma a todos. Se não nos é dada a capacidade da compreensão, que possamos ao menos verificar a vitória da tolerância religiosa em torno de um sentimento coletivo. Se não concordamos com a figura da festa, que admitamos e reflitamos acerca da presença divina no cortejo, algo bem maior que dúvidas ou preconceitos religiosos está em questão. O Círio é fruto da fé dos povos e das religiões ali manifestas, sob a égide e amparo de Deus e, naturalmente, sob as bênçãos da mãe do Cristo, da mãe de todos.

Por Pedro Valiati   
15 de setembro de 2011. 

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A enxurrada de enganosas grandes ideias

Neal Gabler, do The New York Times - O Estado de S.Paulo

O número de julho/agosto de The Atlantic alardeia as "14 Maiores Ideias do Ano". Prenda o fôlego. As ideias incluem "Os jogadores são os donos do jogo" (n.º 12), "Wall Street: a mesma de sempre" (n.º 6), "Nada permanece secreto!" (n.º 2), e a maior de todas do ano, "A ascensão da classe média - só que não a nossa", que se refere às economias em crescimento de Brasil, Rússia, Índia e China.

Pode soltar o ar. O leitor deve achar que nenhuma dessas ideias parece particularmente de tirar o fôlego. Nenhuma delas, aliás, é uma ideia.
Elas são mais observações. Mas não se deve culpar The Atlantic por confundir lugares comuns com visão intelectual. As ideias simplesmente não são o que costumavam ser. Em um passado distante, elas podiam acender debates, estimular outros pensamentos, incitar revoluções e mudar fundamentalmente as maneiras como observamos e pensamos o mundo.
Elas podiam penetrar na cultura geral e transformar pensadores em celebridades - notadamente Albert Einstein, mas também Reinhold Niebuhr, Daniel Bell, Betty Friedan, Carl Sagan e Stephen Jay Gould, para citar alguns. As próprias ideias podiam se tornar famosas: por exemplo, "o fim da ideologia", "o meio é a mensagem", "a mística feminina", "a teoria do Big Bang", "o fim da história". A grande ideia podia ganhar a capa da revista Time - "Deus está morto?" - e intelectuais como Norman Mailer, William F. Buckley Jr. e Gore Vidal seriam eventualmente convidados para as poltronas dos talk shows de fim de noite. Isso foi há uma eternidade.
Se nossas ideias parecem menores hoje, não é porque somos mais burros do que nossos antepassados, mas simplesmente porque não ligamos tanto para as ideias quanto eles ligavam. Aliás, estamos vivendo cada vez mais em um mundo pós-ideia - um mundo em que as ideias grandes, as que fazem pensar, que não podem ser instantaneamente monetizadas, têm tão pouco valor intrínseco que menos pessoas as estão gerando e menos canais as estão disseminando, a despeito da internet. As ideias ousadas estão praticamente fora de moda.
Argumento lógico. Não é segredo, especialmente nos Estados Unidos, que vivemos numa era pós-Iluminismo na qual racionalidade, ciência, argumento lógico e debate perderam a batalha em muitos setores e, talvez, até na sociedade em geral, para superstição, fé, opinião e ortodoxia. Embora continuemos fazendo avanços tecnológicos gigantescos, podemos estar na primeira geração que girou para trás o relógio da história - que retrocedeu intelectualmente de modos avançados de pensar para os velhos modos das crenças. Mas pós-Iluminismo e pós-ideia, embora relacionados, não são exatamente a mesma coisa.
Pós-Iluminismo refere-se a um estilo de pensar que já não mobiliza as técnicas do pensamento racional. Pós-ideia refere-se ao pensar que não é mais feito, independentemente do estilo.
O mundo pós-ideia vem se aproximando faz tempo, e muitos fatores contribuíram para isso. Vemos o recuo nas universidades do mundo real, e um encorajamento, e premiação, da especialização mais estreita em lugar da ousadia - de cuidar de plantas envasadas em vez de plantar florestas.
Vemos o eclipse do intelectual público na mídia em geral pelo sabichão que substitui extravagâncias por ponderação, e o concomitante declínio do ensaio em revistas de interesse geral. E temos a ascensão de uma cultura cada vez mais visual, especialmente entre os jovens - uma forma menos favorável à expressão de ideias.
Mas esses fatores, que começaram há décadas, foram mais provavelmente arautos do advento de um mundo pós-ideia que suas causas principais.
Vivemos na muito alardeada Era da Informação. Por cortesia da internet, temos a impressão de ter acesso imediato a tudo que alguém poderia querer saber. Certamente somos mais bem informados em história, ao menos quantitativamente. Há trilhões e trilhões de bytes circulando no éter - tudo para ser colhido e ser objeto de pensamento.
E é precisamente essa a questão. No passado, nós colhíamos informações não só para saber coisas. Isso era apenas o começo. Nós também colhíamos informações para convertê-las em alguma coisa maior que fatos e, em última análise, mais útil - em ideias que explicavam as informações. Buscávamos não só apreender o mundo, mas realmente compreendê-lo, que é a função primordial das ideias. Grandes ideias explicam o mundo e nos explicam uns aos outros.
Karl Marx chamou a atenção para a relação entre os meios de produção e nossos sistemas sociais e políticos. Sigmund Freud nos ensinou a explorar nossas mentes como meio para compreender nossas emoções e comportamentos. Einstein reescreveu a física. Mais recentemente, Marshall McLuhan teorizou sobre a natureza da comunicação moderna e seu efeito na vida moderna. Essas ideias permitiram que nos desprendêssemos de nossa existência e tentássemos responder as grandes e atemorizantes questões de nossas vidas.
Mas se a informação foi um dia um alimento de ideias, na última década ela se tornou sua concorrente. Estamos como o agricultor que possui trigo demais para fabricar farinha. Somos inundados por tanta informação que não teríamos tempo para processá-la mesmo que o quiséssemos, e a maioria de nós não quer.
A coleta em si é cansativa: o que cada um de nossos amigos está fazendo neste particular momento, e no momento seguinte, e no seguinte; com quem Jennifer Aniston está saindo agora; qual video se tornará viral no YouTube neste momento; o que a princesa Letizia ou Kate Middleton estão usando hoje. Aliás, estamos vivendo dentro da nuvem de uma Lei de Gresham informática onde informações triviais expulsam informações significativas, mas trata-se também uma lei de Gresham nocional em que as informações, triviais ou não, expulsam ideias.
Preferimos conhecer a pensar porque o conhecer tem mais valor imediato.
Ele nos mantém "por dentro", nos mantém conectados com nossos amigos e nossa tribo. As ideias são tão etéreas, tão pouco práticas, trabalho demais para recompensa de menos. Poucos falam ideias. Todos falam informação, geralmente informação pessoal. Onde é que você vai? O que está fazendo? Quem você anda vendo? Estas são as grandes questões de hoje.
Não é por acaso, com certeza, que o mundo pós-ideia brotou com o mundo das redes de relacionamento social. Apesar de haver sites e blogs dedicados a ideias, Twitter, Facebook, Myspace, etc ., os sites mais populares na web, são basicamente bolsas de informações destinadas a alimentar a fome insaciável de informação, embora essa dificilmente seja do tipo de informação que gera ideias. Ela é, em grande parte, inútil exceto na medida em que faz o possuidor da informação se sentir, bem... informado. Evidentemente, pode-se argumentar que esses sites não são diferentes do que a conversa era para gerações anteriores, e a conversa raramente criava grandes ideias, e se estaria certo.
Mas a analogia não é perfeita. Em primeiro lugar, os sites de relacionamento social são a principal forma de comunicação entre jovens, e estão suplantando os meios impressos, que é onde as ideias eram tipicamente gestadas. Depois, os sites de relacionamento social criam hábitos mentais que são inimigos do tipo de discurso deliberado que dá origem a ideias. Em lugar de teorias, hipóteses e argumentos importantes, obtemos tuítes instantâneos de 140 caracteres sobre comer um sanduíche ou assistir um programa de TV.
Universo intelectual. Embora as redes sociais possam alargar o círculo pessoal de alguém e até apresentá-lo a estranhos, isso não é mesma coisa que alargar o universo intelectual pessoal. Aliás, a tagarelice das redes sociais tende a encolher o universo da pessoa a ela mesma e seus amigos, enquanto pensamentos organizados em palavras, seja online seja na página impressa, alargam o foco pessoal.
Parafraseando o ditado famoso, geralmente atribuído ao jogador de beisebol americano "Yogi" Berra, de que não dá para pensar e rebater ao mesmo tempo, também não se pode pensar e tuitar ao mesmo tempo, não por ser impossível fazer tarefas múltiplas, mas porque tuitar - que é, em grande parte, um jorro, ou de opiniões breves sem sustentação, ou de descrições breves das próprias atividades prosaicas - é uma forma de distração e anti-pensamento.
As implicações para uma sociedade que não pensa grande são enormes. As ideias não são meros brinquedos intelectuais. Elas têm consequências práticas.
Um artista amigo lamentou recentemente que sentia o mundo da arte à deriva, pois não havia mais grandes críticos como Harold Rosenberg e Clement Greenberg para oferecer teorias da arte que poderiam fazer a arte frutificar e se revigorar. Outro amigo desenvolveu um argumento parecido sobre política. Embora os partidos debatam sobre quanto cortar no orçamento, ele gostaria de saber onde estão os John Rawises e Robert Nozicks que poderiam elevar o nível de nossa política.
Abundância de dados. O mesmo seguramente poderia ser dito da economia, onde John Maynard Keynes continua sendo o centro do debate quase 80 anos depois de propor sua teoria de injeção de estímulos pelo governo. Isso não significa que os sucessores de Rosenberg, Rawls e Keynes não existam, apenas que, se existirem, eles provavelmente não ganharão tração numa cultura que tem tão pouco uso para ideias, especialmente as grandes, excitantes e perigosas, e isso é verdade quer as ideias venham de acadêmicos ou de outros que não fazem parte de organizações de elite e desafiam a sabedoria convencional. Todos os pensadores são vítimas da abundância de informação, e as ideias dos pensadores de hoje também são vítimas dessa abundância.
Mas é especialmente verdade para grandes pensadores nas ciências sociais como o psicólogo cognitivo Steven Pinker, que teorizou sobre tudo - da origem da linguagem ao papel da genética na natureza humana -, ou o biólogo Richard Dawkins, que teve ideias grandes e controvertidas sobre tudo - do egoísmo a Deus -, ou o psicólogo Jonathan Haidt, que analisou sistemas morais diferentes e extraiu conclusões fascinantes sobre a relação - de moralidade a crenças políticas.
Mas como eles são cientistas e empíricos e não generalistas nas humanidades, o lugar a partir do qual as ideias eram costumeiramente popularizadas, eles sofrem um duplo golpe: não só o golpe contra as ideias em geral, mas o golpe contra a ciência, que é tipicamente considerada na mídia, na melhor hipótese, como mistificadora, na pior, como incompreensível. Uma geração atrás, esses homens teriam chegado a revistas populares e às telas da televisão. Agora, eles são expelidos pelo eflúvio informacional.
Alguém certamente dirá que as grandes ideias migraram para o mercado, mas há uma enorme diferença entre invenções com fins lucrativos e pensamentos intelectualmente desafiadores. Empresários têm muitas ideias, e alguns, como Steve Jobs, da Apple, trouxeram algumas ideias brilhantes no sentido "inovador" da palavra.
Mas, embora essas ideias possam mudar a maneira como vivemos, elas raramente transformam a maneira como pensamos. Elas são materiais, não nocionais. São os pensadores que estão em falta, e a situação provavelmente não vai mudar tão cedo.
Nós nos tornamos narcisistas da informação, tão desinteressados por qualquer coisa fora de nós e de nossos círculos de amizade ou por qualquer petisco que não possamos partilhar com esses amigos que se um Marx ou um Nietzsche surgisse subitamente trombeteando suas ideias, ninguém lhe daria a menor atenção, certamente não a mídia em geral, que aprendeu a servir ao nosso narcisismo.
O que o futuro pressagia é cada vez mais informação - Everests dela. Não haverá nada que não conheçamos. Mas não haverá ninguém pensando nisso. Pense nisso. / TRADUÇÃO DE CELSO M. PACIORNIK

É BOLSISTA SÊNIOR NO ANNENBERG NORMAN LEAR CENTER DA UNIVERSIDADE DO SUL DA CALIFÓRNIA E AUTOR DE "WALT DISNEY: THE TRIUMPH OF THE AMERICAN IMAGINATION"

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Vem ver Belém que começa a festejar



Círios
Padre Fábio de Melo

"Enquanto a corda avança e o corpo se cansa pra alma descansar
O povo de Belém se reúne nas ruas e vira mar
por onde a Virgem Maria veleja em seu altar de flores
É por isso que, na alma de todo paraense, a vida é sempre outubro..."

Meu filho, vês aquela claridade?
É a cidade na escuridão
O barco singra as águas
E pulsa feito um coração
Cheio de alegrias, bálsamos, bênção

O círio de Nazaré tu verás
Serás menino
Algo pra não esquecer
Pra colar no seu caminho
Feito o som de uma viola
Que te fez chorar baixinho
Quando vires a Senhora
Ficarás pequenininho

Diante do mistério que há
Nessa nossa vida humana
Vais crescer mais que o rio-mar
Vais voar mais que as semanas
Vais sorrir pro revelado
Fruto da emoção na boca
De que tudo é amarrado
E mundo é um, é oca

Menino, acorda e vem olhar
Que o sol não tarda em levantar
Vem ver Belém que começa a festejar
Outros outubros tu verás
E outubros guardam histórias
Ver o peso quando for a hora. 

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Citação favorita


Quando fiz meu perfil no Facebook "ele" me perguntou qual era a minha citação favorita. Naquele momento quase nada me ocorreu e escrevi qualquer coisa. Mas essa, de Mário Quintana, com certeza é minha favorita entre tantas coisas que já li e amei. É a que mais tem a minha cara, o meu jeito e os meus defeitos. Nela me inscrevo simultaneamente na liberdade, no amor, no desprendimento, no pertencimento e no descanço da alma. Ela me envolve por completo e me representa em muitos momentos. Não há melhor maneira de ter coisas e pessoas por perto do que deixando-as livre. Alguém discorda?

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Desiderata

Vá placidamente por entre o barulho e a pressa e lembre-se da paz que pode haver no silêncio.
Tanto quanto possível sem capitular, esteja de bem com todas as pessoas.
Fale a sua verdade calma e claramente e escute os outros, mesmo os estúpidos e ignorantes; também eles têm a sua história.
Evite pessoas barulhentas e agressivas, elas são tormentos para o espírito.
Se você se comparar aos outros pode tornar-se vaidoso e amargo, porque sempre haverá pessoas superiores e inferiores a você.
Desfrute suas conquistas assim como seus planos.
Mantenha-se interessado em sua própria carreira, mesmo que humilde; é o que realmente se possui na sorte incerta dos tempos.
Exercite a cautela nos negócios porque o mundo é cheio de artifícios. Mas não deixe que isso o torne cego à virtude que existe.

Muitas pessoas lutam por altas idéias e por toda parte a vida é cheia de heroísmo.
Seja você mesmo, não finja afeição nem seja cínico sobre o amor, porque em face de toda aridez e desencadeamento ele é perene como a grama.
Aceite gentilmente o conselho dos anos, renunciando com benevolência as coisas da juventude.
Cultive a força do espírito para proteger-se num infortúnio inesperado, mas não se desgaste com os temores imaginários; muitos medos nascem da fadiga e da solidão.
Acima de uma benéfica disciplina seja bondoso consigo mesmo.
Você é filho do universo, não menos que as árvores e as estrelas; você tem o direito de estar aqui.
E que seja claro ou não para você, sem dúvida o universo se desenrola como deveria.
Portanto, esteja em paz com Deus, qualquer que seja sua forma de concebê-lo. E sejam quais forem sua lida e suas aspirações na barulhenta confusão da vida, mantenha-se em paz com a alma.
Com todos os enganos, penas e sonhos desfeitos, este é ainda um mundo maravilhoso. Esteja atento.


Pessoa...

domingo, 18 de setembro de 2011

Pra fechar o domingo


Desde muito pequena aprendi alguns valores, tipo: seja educada, não pegue o que não lhe pertence, devolva o que não é seu, seja livre de preconceitos, estude, respeite os outros e principalmente seus pais e etecetera, etecetera, etecetera...
Acho que ao longo dos anos não desaprendi, talvez tenha me tornado apenas um pouco mais intolerante, seletiva e ainda, melhorado com minhas próprias cabeçadas. Entretanto, peço mil desculpas aos maternalistas de plantão, mas devo confessar que: acabo de gritar com a minha mãe. Claro que isso deve vir acoplado a um negócio chamado motivo. Eu tenho.
Não sei se toda vó é assim, mas a minha mãe é um troço über super protetora de uma neta que dá nó no trilho e esconde a ponta.
Aqui em casa sempre tivemos problemas com espaço. Parece que moro numa kit net. Por esse motivo, um dia arrumei as malas e fui, mas voltei. Porque agora quem saiu foi a minha irmã. Mas vai voltar, e foi esse voltar o estopim de toda a confusão. Não acredito que eu seja a única pessoa que não goste que mexam nas suas coisas, sei que não sou e revelo uma coisa: minha sobrinha tem uma mãozinha super nervosa. Já até ensaiou riscar meus livros. Imaginem meu estado de pânico! Isso, e otras cositas más foi razão para eu ter trocado a porta do meu quarto, antes "intrancável".
Ainda há pouco a pequena quase quebra a tela do PC com os botões pesados do seu inocente macacãozinho, jogado de forma proposital na máquina. Daí eu a expulsei do quarto.
Então lá vem a super vovó com seu senso de super heroina me dá gritos e sermões. Não aguentei, pois D. Nazaré é reincidente no crime. Da outra vez me fez ouvir os piores absurdos, os quais não tenho coragem de reproduzir aqui. Me adjetivou tão mal que eu quase acreditei ser tudo aquilo, afinal, ela é minha mãe. Quem há de me conhecer melhor?
O fato, caríssimos, é que estou farta desse "vóternalismo" enlouquecedor, que me descredencia e me faz sentir uma estranha no ninho, reforçando o desejo de NÃO ser mãe. Aliado a isso ainda tem o remorso, fruto dos valores comentados no início desta prosa. Cresci ouvindo: "respeita a tua mãe".
Agora estou aqui, trancada no meu infinito particular me sentindo uma estúpida, mas também não aceitando que se passe a mão na cabeça de uma criança tola que não sabe seus limites. Pois também aprendi um dia desses...
"QUE PRECISAMOS EDUCAR AS CRIANÇAS PARA NÃO PRECISAR PUNIR ADULTOS"
Não quero ter razão, apenas ser ouvida.

Sobre mais uma de minhas intolerâncias...


Há três tipos de ser humano que eu abomino: o arrogante, o prepotente e o egocêntrico (ou o pior deles, que são os três juntos). Carregar esses defeitinhos nada básicos caracterizam o que eu chamo de mau caratismo. E tenho visto com mais frequencia do que gostaria, pessoas que carregam em suas personalidades esses aleijamentos cerebrais.
Ei, psiu, pra você que ainda não se tocou, fica a dica: o mundo não gira em torno de você, logo, você não é melhor que ninguém. Se quer superar alguém, supere-se! Você ainda tem muito chão de terra batida pra andar. Sorry, baby!
Detesto ouvir gabações extremadas e empolgadas de quem fez algo por obrigação e jura que modificou a nação. Detesto quem passa pelo porteiro, faxineiro, ascensorista e não diz "bom dia" por achar que isso macula sua "superioridade". Detesto quem subestima a inteligência alheia explicando mais de nove vezes como se abre o carro com alarme e como se fecha, cncluindo com a petulante pergunta: entendeu ou quer que eu desenhe? Detesto quem sai por aí destratando aqueles que lhes servem e distribuindo suas patadas. Mas, infeliz e lamentavelmente o mundo está cheio de Terezas Cristinas e Anteores por aí. A primeira que acha que seu dinheiro pode tudo, que seu status (afinal, quem inventou essa bosta de palavra?) lhe confere o direito da humilhação, o segundo que seu curso de medicina já o faz médico ou melhor que os irmãos em caminhos profissionais 'menos atraentes" e por isso os subestima e ainda foi capaz até mesmo de renegar a própria mãe.
Eu sou adepta da célebre frase:
"Tô cagando e andando"
Acho que todo mundo, mas todo mundo mesmo deveria ter primeiro experimentado a pobreza material antes de ter subido na vida. Assim teriam muito mais riqueza interior e entenderiam que o que é de Cezar, é de Cezar, e o que é de Deus, é sagrado e por isso mesmo merece ser respeitado, valorizado, regado.
Desça do seu pedestal agocêntrico e entenda que no final só há dois caminhos: ou vira fogueira, fumaça e pó ou banquete de tapuru embaixo da terra. Mas não me venha bostejar em meus ouvidos, eles foram feitos pra ouvir Chico, pendurar meus baratíssimos aços e bijus, escutar os "eu te amo" da vida, não para ouvir você dizer que algo aconteceu graças a você, que você é phodda, o cara ou ainda que eu não sou ninguém. Cuidado com sua imagem refletida no lago, você pode morrer afogado se tentar beijá-la e não souber nadar.
Gentileza continua gerando gentileza ainda que a palavra no muro tenha sido coberta de tinta.

O amor que a vida traz

Você gostaria de ter um amor que fosse estável, divertido e fácil. O objeto desse amor nem precisaria ser muito bonito, nem rico. Uma pessoa bacana, que te adorasse e fosse parceira já estaria mais do que bom. Você quer um amor assim. É pedir muito? Ora, você está sendo até modesto.

O problema é que todos imaginam um amor a seu modo, um amor cheio de pré-requisitos. Ao analisar o currículo do candidato, alguns itens de fábrica não podem faltar. O seu amor tem que gostar um pouco de cinema, nem que seja pra assistir em casa, no DVD. E seria bom que gostasse dos seus amigos. E precisa ter um objetivo na vida. Bom humor, sim, bom humor não pode faltar. Não é querer demais, é? Ninguém está pedindo um piloto de Fórmula 1 ou uma capa da Playboy. Basta um amor desses fabricados em série, não pode ser tão impossível.

Aí a vida bate à sua porta e entrega um amor que não tem nada a ver com o que você queria. Será que se enganou de endereço? Não. Está tudo certinho, confira o protocolo. Esse é o amor que lhe cabe. É seu. Se não gostar, pode colocar no lixo, pode passar adiante, faça o que quiser. A entrega está feita, assine aqui, adeus.

E agora está você aí, com esse amor que não estava nos planos. Um amor que não é a sua cara, que não lembra em nada um amor idealizado. E, por isso mesmo, um amor que deixa você em pânico e em êxtase. Tudo diferente do que você um dia supôs, um amor que te perturba e te exige, que não aceita as regras que você estipulou. Um amor que a cada manhã faz você pensar que de hoje não passa, mas a noite chega e esse amor perdura, um amor movido por discussões que você não esperava enfrentar e por beijos para os quais nem imaginava ter tanto fôlego. Um amor errado como aqueles que dizem que devemos aproveitar enquanto não encontramos o certo, e o certo era aquele outro que você havia solicitado, mas a vida, que é péssima em atender pedidos, lhe trouxe esse e conforme-se, saboreie esse presente, esse suspense, esse nonsense, esse amor que você desconfia que não lhe pertence. Aquele amor em formato de coração, amor com licor, amor de caixinha, não apareceu. Olhe pra você vivendo esse amor a granel, esse amor escarcéu, não era bem isso que você desejava, mas é o amor que lhe foi destinado, o amor que começou por telefone, o amor que começou pela Internet, que esbarrou em você no elevador, o amor que era pra não vingar e virou compromisso, olha você tendo que explicar o que não se explica, você nunca havia se dado conta de que amor não se pede, não se especifica, não se experimenta em loja – ah, este me serviu direitinho!

Aquele amor corretinho por você tão sonhado vai parar na porta de alguém que despreza amores corretos, repare em como a vida é astuciosa. Assim são as entregas de amor, todas como se viessem num caminhão da sorte, uma promoção de domingo, um prêmio buzinando lá fora, mesmo você nunca tendo apostado. Aquele amor que você encomendou não veio, parabéns! Agradeça e aproveite o que lhe foi entregue por sorteio.


Martha Medeiros

domingo, 11 de setembro de 2011

Prova de Amor

Há coisas tão bonitas que acontecem em nossas vidas que mesmo com pedidos, não dá pra guardar em segredo. Por isso vou compratilhar.
De antemão preciso esclarecer que ao mesmo tempo em que fiquei feliz me senti mal.
Tenho uma amiga de alma, já contei aqui.
Na semana passada, graças a minha nova rotina, recebi algumas ligações da minha amiga que foram rejeitadas por eu verdadeiramente não poder atender. Recebi mensagens também, mas minha doce memória falha me fez esquecer a resposta, e com isso os dias se passaram.
Quando ela some, eu me aborreço e brigo com ela dizendo tolamente: "tu me abandonou! Não me ama mais". Imagina. Não é possível nosso amor acabar nem cair no esquecimento. Somos ligadas por algo que tá bem além da matéria. Tivemos infância igualmente difícil, regrada de riquezas materiais, mas regada do mais puro amor e repleta de valores que hoje já não vemos com tanta facilidade.
No ano passado, estava em Salina quando sofri um assalto em que fiquei trancada junto com outra família que amo enquanto os ladrões farreavam. Ela pressentiu meu perigo e há quase 4 horas de distância de mim sabia que eu estava em perigo.
Se alguém a magoa, eu sinto na pele, sinto ódio, quero esfolar, mandar pro espaço.
Ela é meu picolézinho de chuchu. Sem gracinha, mas muito amada.
A mãe dela é também minha.
Elas cuidam tão bem de mim.
Na casa delas tenho um cantinho acolhedor, inde me sinto muito amada.
Pois bem, ontem, depois da história das ligações sem retorno apareci de surpresa na casa dela.
Ela me recebeu chorando.
Achava que eu estava com raiva dela e que evitava o contato.
Me abraçou tão forte, mas tão forte que eu pude sentir o impalpável: o amor que tem por mim.
Me chamou de tosca e me pediu pra não fazer mais isso com ela.
Chamei ela de tola e repeti que a amo, como sempre faço.
Tadinha. Tão linda minha pequena Gigi de Poli. Como pude fazer isso com ela? Não merece.
Se ela ler esse texto, quero que saiba e entenda de uma vez por todas que meu amor por ela impede que lhe faça mal de propósito. Quero que saiba e entenda que é minha irmã de alma. Por quem torço, por quem peço a Deus proteção, por quem vibro com as vitórias e conquistas, por quem fico feliz. É quem defendo com toda a minha estupidez, é quem carregaria no colo mil vezes se necessário fosse, é quem proíbo de não ser feliz.
Vê-la chorar me fez feliz por ser prova de amor, mas me deixou mal por fazer com que se sentisse mal.
Eu te amo amiga!
Absurdamente...


sábado, 10 de setembro de 2011