- há 3 horasMauro Margalho
- Pra você minha árvore gêmea e amiga linda.
Um dia, numa bela manhã de sol... Um sábio é procurado por seu aprendiz interessado, que lhe pergunta:
- Mestre, qual o significado da amizade?
O mestre lhe aponta três árvores visíveis de onde se encontravam e, responde:
- Observe estas três árvores. São diferentes: numa há flores bonitas e perfumadas; noutra, notamos frutos que chegam a dobrar seus galhos; e na última há somente folhas misturadas num variegar de cores.
Subiram então em um penhasco de onde podiam ter uma visão panorâmica e, o mestre perguntou ao seu aprendiz:
- O que vê você aqui de cima?
- Vejo apenas que essas árvores cresceram próximas e independentes, porém suas copas se fundem, produzindo uma única sombra, respondeu o aprendiz.
O mestre concluiu, então:
- Esse é o verdadeiro significado da amizade: diferenças que crescem juntas, mas que quanto maiores mais próximas ficam, produzindo na força da união uma única “sombra”, um único abrigo, um pomar de refazimento de forças e um refrigério para os olhos, para a alma e para o coração.
Os amigos são como árvores diferentes, mas que crescem próximas; quanto mais crescem, mais se unem, refletindo uma única força, uma nova descoberta a cada encontro; é como a sombra que se dilata quando as copas das árvores se aproximam.
Sobre o que me toca...
"Só não se perca ao entrar no meu infinito particular"
sábado, 2 de junho de 2012
Amizade
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Da regra a exceção
Ontem, ia pro trabalho distraída e entretida com Deslembrança quando de repente fui surpreendida por um solavanco do ônibus. Claro, a primeira reação depois do susto é: "merda!", já que é habito isso acontecer com os motoras bem humorados, solidários e pacientes que temos em nossas frotas urbanas.
O ônibus parou e o motorista desceu depois da freada brusca. Pensei: bateu alguém ou em algum carro. Puta merda, vai atrasar a viagem, engarrafar mais o trânsito e eu vou ter que esperar uma vida por outro.
Enquanto divagava no meu pensamento egoísta olho pela janela e vejo o motora carregando com a maior calma e paciência um gatinho pela mão e levando-o até o outro lado da rua para deixá-lo na calçada, em segurança.
Voltou ignorando as buzinas e o engarrafamento atrás dele e comentando com o cobrador: "foi por pouco. O cara da frente quase atropela, se eu não olho e freio logo, tinha matado"
Clap, clap, clap.
Palmas para ele!!!
Agora me diz, em seus pensamentos mais humanos você imaginou uma cena dessas, protagonizada por um motorista de ônibus? Eu não. Já presenciei as piores e mais grotescas cenas: já fiz denúncia por meio de carta ao proprietário da linha que passa pela minha rua. Já perdi a compostura e a educação com outro que tratou mal minha mãe, sem contar as corriqueiras com idosos, estudantes etc. Mas confesso que me surpreendi com essa que acabou sendo a exceção da regra. Ele merece uma estrelinha no pára-brisas.
São atitudes como essas que aprecio e desejo que esse mundo seja um pouco mais humano, solidário e menos egoísta.
O ônibus parou e o motorista desceu depois da freada brusca. Pensei: bateu alguém ou em algum carro. Puta merda, vai atrasar a viagem, engarrafar mais o trânsito e eu vou ter que esperar uma vida por outro.
Enquanto divagava no meu pensamento egoísta olho pela janela e vejo o motora carregando com a maior calma e paciência um gatinho pela mão e levando-o até o outro lado da rua para deixá-lo na calçada, em segurança.
Voltou ignorando as buzinas e o engarrafamento atrás dele e comentando com o cobrador: "foi por pouco. O cara da frente quase atropela, se eu não olho e freio logo, tinha matado"
Clap, clap, clap.
Palmas para ele!!!
Agora me diz, em seus pensamentos mais humanos você imaginou uma cena dessas, protagonizada por um motorista de ônibus? Eu não. Já presenciei as piores e mais grotescas cenas: já fiz denúncia por meio de carta ao proprietário da linha que passa pela minha rua. Já perdi a compostura e a educação com outro que tratou mal minha mãe, sem contar as corriqueiras com idosos, estudantes etc. Mas confesso que me surpreendi com essa que acabou sendo a exceção da regra. Ele merece uma estrelinha no pára-brisas.
São atitudes como essas que aprecio e desejo que esse mundo seja um pouco mais humano, solidário e menos egoísta.
domingo, 20 de maio de 2012
Discurso de Deus a Eva
"...Eva, de repente, descobrindo uma bela cascata, resolveu tomar um banho de rio. A criação inteira veio então espiar aquela coisa linda que ninguém conhecia. E quando Eva saiu do banho, toda molhada, naquele mundo inaugural, naquela manhã primeval, estava realmente tão maravilhosa que os anjos, arcanjos e querubins, ao verem a primeira mulher nua sobre a Terra, não se contiveram, começaram a bater palmas e a gritar, entusiasmados: "O AUTOR! O AUTOR! O AUTOR!".
"P.S. - Este discurso do Todo-Poderoso está sendo divulgado pela primeira vez em todos os tempos, aqui neste livro. Nunca foi publicado antes, nem mesmo pelo seu órgão oficial, A BÍBLIA."
"Minha cara,
eu te criei porque o mundo estava meio vazio, e o homem, solitário. O Paraíso era perfeito e, portanto, sem futuro. As árvores, ninguém para criticá-las; os jardins, ninguém para modificá-los; as cobras, ninguém para ouvi-las. Foi por isso que eu te fiz. Ele nem percebeu e custará os séculos para percebê-lo. É lento, o homenzinho. Mas, hás de compreender, foi a primeira criatura humana que fiz em toda a minha vida. Tive que usar argila, material precário, embora maleável. Já em ti usei a cartilagem de Adão, matéria mais difícil de trabalhar, mais teimosa, porém mais nobre. Caprichei em tuas cordas vocais, poderás falar mais, e mais suavemente. Teu corpo é mais bem acabado, mais liso, mais redondo, mais móvel, e nele coloquei alguns detalhes que, penso, vão fazer muito sucesso pelos tempos a fora. Olha Adão enquanto dorme; é teu. Ele pensara que és dele. Tu o dominarás sempre. Como escrava, como mãe, como mulher, concubina, vizinha, mulher do vizinho. Os deuses, meus descendentes; os profetas, meus public-relations, os legisladores, meus advogados; proibir-te-ão como luxúria, como adultério, como crime, e até como atentado ao pudor! Mas eles próprios não resistirão e chorarão como santos depois de pecarem contigo; como hereges, depois de, nos teus braços, negarem as próprias crenças; como traidores, depois de modificarem a Lei para servir-te. E tu, só de meneios, viverás.
Nasces sábia, na certeza de todos os teus recursos, enquanto o Homem, rude e primário, terá que se esforçar a vida inteira para adquirir um pouco de bens que depositará humildemente no teu leito. Vai! Quando perguntei a ele se queria uma Mulher, e lhe expliquei que era um prazer acima de todos os outros, ele perguntou se era um banho de rio ainda melhor. Eu ri. O homem e um simplório. Ou um cínico. Ainda não o entendi bem, eu que o fiz, imagina agora os seus semelhantes.
Olha, ele acorda. Vai. Dá-me um beijo e vai. Hmmmm, eu não pensava que fosse tão bom. Hmmmm, ótimo! Vai, vai! Não é a mim que você deve tentar, menina! Vai, ele acorda. Vem vindo para cá. Olha a cara de espanto que faz. Sorri! Ah, eu vou me divertir muito nestes próximos séculos!"
Millôr Fernandes
sábado, 19 de maio de 2012
Deslembrança
Ontem, passando pela Saraiva não resisti e dei uma entradinha só pra me sentir em casa. Fico feito criança na Marjory de tão encantada e enlouquecida. Grana curta, tive que fingir desinteresse por Isabel Allende e outros tantos e tão maravilhosos quanto o prazer de estar naquele lugar. O tempo não colaborou também mas, claro, sair de mãos abanando, jamais!
Pela orelha e pelo valor trouxe pra casa "Deslembrança", da novata Cat Patrick e hoje foi meu companheiro de viagem ao trabalho (sim! Eu trabalhei hoje, muito contrariada. Mas isso é tema para outro texto). Pois bem, deslembrança começou a ser visitado e como ainda está no começo segue minha primeira impressão:
Trata-se de um livro de ficção que minha sobrinha de 15 anos vai adorar ler. Conta a história de uma garota que, assim como no filme "Como se fosse a primeira vez", ao dormir apaga as memória do dia vivido e para isso escreve no fim do dia o que aconteceu durante ele para no dia seguinte lembrar: "Não tenho passado. Minhas únicas lembranças estão no futuro", escreve London, personagem principal. Então, quando acontece algo durante o seu dia que ela faz questão de esquecer, ela simplesmente não anota. Simples assim.
Quem dera que fosse! Já imaginou ter como memória apenas o que é colocado no papel? E quando algo que nos desagrada basta apenas não relatar, não transformar em crônica ou poesia ou desabafo ou grito. Acabou. Game over. Finish. Já pensou???? Pelo lado prático da vida seria ótimo:
"Puta merda, não acredito que tive essa recaída e beijei esse cretino de novo!" Ok, então é simples, apenas não escreva que ficou com esse cretino que você jamais irá lembrar;
"Caramba, minha melhor amiga me disse tanta coisa que me deixou magoada..." Então, não ouse relatar a mágoa, amanhã ela não fará mais parte da sua vida;
"Eu não devia ter brigado com meu amor e tê-lo magoado tanto com palavras tão duras e meu ciúme desmedido". Não se preocupe, você não escreveu sobre isso.
OK, ficções e devaneios à parte me contem: com o que iríamos aprender senão com nossos erros, defeitos e atitudes desacertadas, amores desencontrados, mal dormidos, malfadados???
Eu, ré confessa admito: as vezes queria muito não lembrar de fato, já que consigo o "desvínculo afetivo". Minha memória não é das melhores, mas bem que poderia ficar um pouco pior. Rsrsrsrsrs.
Depois conto mais do livro.
Pela orelha e pelo valor trouxe pra casa "Deslembrança", da novata Cat Patrick e hoje foi meu companheiro de viagem ao trabalho (sim! Eu trabalhei hoje, muito contrariada. Mas isso é tema para outro texto). Pois bem, deslembrança começou a ser visitado e como ainda está no começo segue minha primeira impressão:
Trata-se de um livro de ficção que minha sobrinha de 15 anos vai adorar ler. Conta a história de uma garota que, assim como no filme "Como se fosse a primeira vez", ao dormir apaga as memória do dia vivido e para isso escreve no fim do dia o que aconteceu durante ele para no dia seguinte lembrar: "Não tenho passado. Minhas únicas lembranças estão no futuro", escreve London, personagem principal. Então, quando acontece algo durante o seu dia que ela faz questão de esquecer, ela simplesmente não anota. Simples assim.
Quem dera que fosse! Já imaginou ter como memória apenas o que é colocado no papel? E quando algo que nos desagrada basta apenas não relatar, não transformar em crônica ou poesia ou desabafo ou grito. Acabou. Game over. Finish. Já pensou???? Pelo lado prático da vida seria ótimo:
"Puta merda, não acredito que tive essa recaída e beijei esse cretino de novo!" Ok, então é simples, apenas não escreva que ficou com esse cretino que você jamais irá lembrar;
"Caramba, minha melhor amiga me disse tanta coisa que me deixou magoada..." Então, não ouse relatar a mágoa, amanhã ela não fará mais parte da sua vida;
"Eu não devia ter brigado com meu amor e tê-lo magoado tanto com palavras tão duras e meu ciúme desmedido". Não se preocupe, você não escreveu sobre isso.
OK, ficções e devaneios à parte me contem: com o que iríamos aprender senão com nossos erros, defeitos e atitudes desacertadas, amores desencontrados, mal dormidos, malfadados???
Eu, ré confessa admito: as vezes queria muito não lembrar de fato, já que consigo o "desvínculo afetivo". Minha memória não é das melhores, mas bem que poderia ficar um pouco pior. Rsrsrsrsrs.
Depois conto mais do livro.
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Revisitar-se
Há pouco mais de um mês venho presenciando alguns acontecimentos que seriam cômicos se não fossem trágicos. Percebo, quieta no meu canto (as vezes nem tanto), o quanto o ser humano é capaz de prejudicar o outro, de invejar o outro, de passar por cima do outro e de sentimentos considerados nobres aos olhos de Deus e da psicologia humana. Como dormem? Penso, ao identificar que de alguma forma há racionalidade suficiente nas pessoas que as habilita a não praticar o mal ao outro, mas ao contrário, agem como irracionais ou sei lá o quê, já que temos animais muito mais dóceis, parceiros, companheiros e amigos que muita gente que "divide conosco o prato".
Eu e minha sensibilidade hulkiana sentimos nojinho dessa gente e as deixamos lá, em seus cantos, em seus mundos e infinitos particulares já que, graças a Deus, tenho livre-arbítrio. Se pudesse ou ao menos quisesse, eu lhes diria: simplifiquem a vida, mas não sem antes fazerem um exame de consciência em que coubesse o maravilhoso exercício da autocrítica. Vocês não são os melhores. Vocês não são uma ilha. A lei do retorno existe ainda que tarde.
Se você não gosta de alguém, é um direito que lhe cabe, fique na sua. O ditado é antigo e útil: "se não puder ajudar, também não atrapalhe". Receba suas vitórias e seja merecedor delas, porque não é válido ir tão longe mas ir deixando pregos e espinhos pelo caminho. E quando chegar lá, vomite o rei, porque este país não é monárquico. A humildade faz parte da simplicidade. É irmã gêmea univitelina.
Encontre respaldo em sua própria consciência pra saber a hora exata de vestir a fantasia, colocar a máscara e pular seu carnaval, mas também para perceber qual a hora de retirar a carranca de mau caráter e se vestir de água, de largar as pedras escondidas nas mãos e usá-las para construir castelo ou simplesmente sonhos.
Simplifique-se.
Humanize-se.
Escolha a verdade ainda que ela lhe arranque sangue.
Escolha o bem.
Um cargo, um título, um bem material são indicadores de que você conseguiu sua própria superação e não que é melhor que o outro. E isso não lhe dá o direito ou lhe confere autoridade para apontar a lua com o nariz e desmerecer que não ocupa o mesmo espaço hierárquico que você.
Revisite-se.
Deseje chegar ao final de sua vida com a certeza de que se transformou no ser humano que desejou ser e não em um fantoche projetado para mostrar aos outros que podia ser "o cara". Ok?
Aqui fica um grito velado e um sentimento tão real de indignação boquiaberta que chega quase a ser palpável.
Eu e minha sensibilidade hulkiana sentimos nojinho dessa gente e as deixamos lá, em seus cantos, em seus mundos e infinitos particulares já que, graças a Deus, tenho livre-arbítrio. Se pudesse ou ao menos quisesse, eu lhes diria: simplifiquem a vida, mas não sem antes fazerem um exame de consciência em que coubesse o maravilhoso exercício da autocrítica. Vocês não são os melhores. Vocês não são uma ilha. A lei do retorno existe ainda que tarde.
Se você não gosta de alguém, é um direito que lhe cabe, fique na sua. O ditado é antigo e útil: "se não puder ajudar, também não atrapalhe". Receba suas vitórias e seja merecedor delas, porque não é válido ir tão longe mas ir deixando pregos e espinhos pelo caminho. E quando chegar lá, vomite o rei, porque este país não é monárquico. A humildade faz parte da simplicidade. É irmã gêmea univitelina.
Encontre respaldo em sua própria consciência pra saber a hora exata de vestir a fantasia, colocar a máscara e pular seu carnaval, mas também para perceber qual a hora de retirar a carranca de mau caráter e se vestir de água, de largar as pedras escondidas nas mãos e usá-las para construir castelo ou simplesmente sonhos.
Simplifique-se.
Humanize-se.
Escolha a verdade ainda que ela lhe arranque sangue.
Escolha o bem.
Um cargo, um título, um bem material são indicadores de que você conseguiu sua própria superação e não que é melhor que o outro. E isso não lhe dá o direito ou lhe confere autoridade para apontar a lua com o nariz e desmerecer que não ocupa o mesmo espaço hierárquico que você.
Revisite-se.
Deseje chegar ao final de sua vida com a certeza de que se transformou no ser humano que desejou ser e não em um fantoche projetado para mostrar aos outros que podia ser "o cara". Ok?
Aqui fica um grito velado e um sentimento tão real de indignação boquiaberta que chega quase a ser palpável.
sábado, 5 de maio de 2012
A Caixa de Pandora
Pra quem não conhece, breve resumo: segundo a mitologia, Pandora foi a primeira mulher criada no céu e enviada a Prometeu. Cada um dos deuses, em sua criação, contribuiu para aperfeiçoá-la: Vênus deu-lhe beleza, Mercúrio, persuasão etc. Foi então enviada à Terra para Epimeteu, que possuía uma caixa cheia de artigos que não utilizou para criar o homem (eu duvido). Foi então que Pandora, tomada da boa e velha curiosidade feminina abriu a caixa e lá deixou escapar um monte de coisas ruins: doenças do corpo e da alma. Mesmo apressando-se para fechar a caixa novamente percebeu que havia deixado escapar quase todo o seu conteúdo, que se espalhou pelo mundo. Porém, lá no fundo, no cantinho, amassada e resguardada ficou a esperança, sinalizando que, ainda que todo o mal escape e nos tome de assalto ela estará resguardada para que possamos lembrá-la e nos ancorarmos a ela....
Hoje acordei mais cedo.
O relógio biológico anda ultimamente alterado e tenho tido dificuldades em dormir e acordar nos horários devidos. Morfeu tem me visitado já pela madruga e o horário deste post só vai confirmar o que digo. Acordei disposta a ter um dia de paz e a resolver os problemas que me aparecessem pela frente. Acordei cheia de planos que se perderam pelo caminho e pelo adiantado das horas. Hoje a caixa de Pandora foi se abrindo aos poucos pra mim. Logo pela manhã dei de cara com um problema gerado por má informação e falta de comunicação. Ao solicitar explicações a quem me gerou o problema ouvi um "desculpa, eu sempre dou essa informação. Acho que eu não tava num bom dia quando te falei isso". O quê? Repete? Talvez eu tenha ensurdecido com as bobagens que ando ouvindo. Tratava-se da pessoa responsável por reservas em uma rede de hotéis em Belém que permitiu que o hóspede para quem eu havia feito reserva fosse proibido de se hospedar. Respira Claudiana, errar é inerente ao ser humano, dizem.
Pela tarde, com a tampa um pouco mais aberta fui cobrada por um pagamento não realizado e que também não havia sido avisada sobre ele. "Mas você não me avisou!" "- Pois é, mas deverias ter pago da mesma forma". Ãããmmm. Como assim? Até hoje não fui buscar minha bola de cristal e mandei consertar, só que não acharam uma cola que servisse para o remendo.
Ok, vou ver se me mandaram aqueeela resposta super esperada por email e que ontem reenviei porque no primeiro, descobri que nunca cheguei a dar aulas porque não consigo me fazer entender naquilo que escrevo, e percebo que a pessoa, além de não entender novamente o que eu queria, piorou a situação me apresentando mais problemas que me roubarão mais e mais tempo de trabalho e juízo. Ok, Pandora, já basta!
Recebo um telefonema de uma pessoa da família que incorporou a Pandora e deixou escapar, inclusive, a esperança. Daí daí então eu me chateio, me questiono, me aborreço com o ser humano que insiste em fazer escolhas erradas, que insiste em não colaborar e complicar a vida do outro por pura implicância, pelo simples prazer em fazer mau ao outro. Desligo o telefone péssima e obrigada a fingir para o mundo que nada está acontecendo, que eu estou feliz e que minha caixa não foi totalmente aberta. Recebo outros telefonemas mais engraçados e rio entre falsetes, finjo interesse, invento desculpas para a voz do outro lado da linha a quem meus problemas não interessam e não fazem a menor diferença.
Recebo então uma visita que sem querer toca no assunto do telefonema.. E a caixa que eu pensei ter fechado volta a se abrir lentamente a minha frente, deixando escapar todos os males do mundo, e a minha esperança começa a colocar os pés pra fora. Enxergo Pandora desolada, acabada e sofrida. Sofro junto e tento ter as forças que já não me cabem pra colocar de volta na caixa o que tenta fugir. Disfarço. Ninguém pode perceber minha empreitada. Finjo não entender. Finjo saber. Finjo esquecer que a dor e a raiva são insistentes. Não esboço qualquer reação.
Recebo uma mensagem de um problema que não me pertence mas que me é pedida ajuda para contorná-lo e acabo ficando no meio dele e, como intermediadora, ele também acaba sendo meu. Conto até mil e abstraio.
Alguém viu a Pandora mitológica por aí?? É sério, pois essa infeliz deixou escapar esse monte de coisa ruim e tudo, em um único dia, chegou até mim. Pandora, seja mais cuidadosa ao mexer nas coisas alheias. Seja mais prudente e menos curiosa. O mundo já está podre demais.
Por hoje é só! (Eu espero...)
domingo, 29 de abril de 2012
Los Hermanos
Quem me apresentou ao som deles foi minha amiga Karol Khaled, em 2006, ligada nas letras, logo me encantei pelo grupo. Em 2010, já depois da separação da banda, meu primo virou evangélico e me deixou de herança a coletânea de discos e DVD's. Comecei a ouvi-los mais e a me encantar mais com as letras.
Há poucos meses, depois de anos separados o grupo resolveu se reunir novamente e fazer uma turnê de 10 shows pelo país e Belém foi uma das cidades contempladas. Nossa, nem acreditei, já que na maioria das vezes o norte do país é meio esquecido e malfadado. Ingresso comprado e turma reunida nos mandamos para o local do evento.
O show demorou pra começar, já estávamos agoniados até que eles entrarão no palco e deram um verdadeiro show. Gente o que são Los Hermanos no palco?? Explica!!! Perfeitos. De todas as músicas que cantaram, confesso que apenas uma eu não sabia a letra, mas as demais foram gritadas vorazmente. Minha garganta em estado de calamidade que o diga!
Não sei o que se passa na cabeça desses malucos nerds fodásticos pra entenderem que não devem seguir adiante e continuar enlouquecendo esse público. De quebra eles ainda cantaram Legião Urbana e a galera foi ao delírio porque ficou do cacete na voz e no som deles. Não é a toa que eles são a banda favorita da Maria Rita, que gravou lindamente Santa Chuva e Casa Pré-fabricada, esta última também cantada no show. Para a noooossa alegriiaaaa. rsrsrsr
Enfim, o show da ano, definitivamente! Pra quem ainda não conhece a banda, recomendíssimo. É pra quem gosta de boa melodia e letras fantásticas.
Sonhos que aprisionam
"O apego pelo futuro é uma armadilha terrível"
Havia na minha casa, até uns dias atrás, uma travessa cheia de pedras. Elas eram de cores, tamanhos e formatos diferentes. Tinham em comum o fato de haverem sido coletadas em viagens. Se eu estivesse num lugar especial, procurava uma pedra bonita e a metia no bolso. Mais tarde, de volta em casa, juntava o item novo à coleção. Haveria, talvez, umas 30 pedras na travessa.
Na semana passada, preparando a casa para uma reforma, disposto a recomeçar a vida, decidi que era hora de me livrar de coisas que eu vinha acumulando desnecessariamente há pelo menos 10 anos. Rodaram roupas, objetos, revistas, livros e, claro, as pedras. Mas não foi fácil.
Cada vez que eu punha uma coisa de lado, com a disposição de me livrar dela, algo me incomodava profundamente. Havia uma dor ali, ou várias dores diferentes.
As pedras eram parte do passado que, de alguma forma, eu tentava agarrar e materializar. Os livros, vários que eu nunca tinha lido, representavam uma inquietação pelo futuro: agora eu nunca saberia o que há dentro deles. As roupas, muitas delas sem usar há anos, ficavam me acenando do chão, empilhadas, com as situações que haveriam de vir e nas quais eu sentiria falta delas.
O nome desse sentimento inquietante é apego.
A gente se agarra às coisas, como se agarra às pessoas e às ideias. Na verdade está tudo entrelaçado. As coisas representam pessoas, que nos remetem a sentimentos e ideias. Ou representam sentimentos e ideias, que nos lembram de pessoas. Qualquer que seja a ordem, esse sentimento é um fardo. Tentando reformar e recomeçar, tentando reiniciar a vida, a gente percebe como é difícil deixar as coisas para trás. Inclusive os sonhos e os planos, por mais banais e genéricos que sejam.
Assim como nos apegamos a livros que nunca lemos, ou CDs que nunca ouvimos, também nos apaixonamos por coisas que nunca vivemos e gostaríamos de viver, embora não sejamos capazes de explicá-las ou defini-las. Essa forma de apego é vaga, mas tem uma força brutal sobre as nossas ações.
A esperança de viver coisas espetaculares (mas indefinidas) no futuro impede que a gente se mova no presente. Ela leva, por exemplo, algumas pessoas a protelar indefinidamente relações afetivas duradouras. Elas não conseguem renunciar ao sonho de perfeição do conto de fadas ou abrir mão das possibilidades eróticas oferecidas por um planeta com seis bilhões de pessoas. Isso equivale à dificuldade de jogar fora um DVD que nunca foi visto. É apego pelo desconhecido. Tenho a impressão de que esse sentimento pelo futuro é o maior obstáculo à mudança na nossa vida.
O passado é uma entidade com peso e qualidade definidos. Lidamos com ele todos os dias. Desapegar não é simples, como mostra a minha coleção de pedras, mas pode ser negociado, como sabem os analistas. Memórias podem ser reavaliadas, experiências podem ser diluídas no tempo. Podemos chegar à conclusão que sobreviveremos ao grande amor e ao grande trauma – e com alguma pesar, por um e por outro, somos capazes de enterrá-los em alguma medida.
O futuro é outra história. Nele residem todas as nossas expectativas. Depositamos neles nossas aspirações práticas e subjetivas. Em direção a ele arremessamos os nossos desejos não realizados, a redenção das nossas frustrações. No futuro encontra-se a pessoa que desejamos ser. A felicidade mora lá e nos assombra como um fantasma a cada minuto da nossa vida. Não saberíamos viver sem ela. Seria desumano.
É contra essa esperança enorme, avassaladora e perniciosa que temos de lutar todos os dias para tomar conta da nossa vida. Não basta olhar para trás e se livrar das coleções de pedras. Ou das roupas velhas. Para começar de novo, em qualquer idade, temos de jogar fora os sonhos embolorados e as ilusões. Precisamos nos livrar do futuro sem rosto que nos assombra.
É provável que a felicidade, como coisa duradoura, não exista. Mas, se ela pode ser encontrada em algum lugar, ainda que de forma fugidia, é no presente. Para enxergá-la, precisamos estar de olhos bem abertos, livres das sombras do passado e das luzes que cegam no futuro. Não é fácil, mas quem disse que a vida é simples?
Ivan Martins- colunista da Revista Época
terça-feira, 24 de abril de 2012
Deus escreve certo por linhas tortas
Quando criança, nos tempos de escola, um de nossos lazeres de menina favorito era trocar papéis de carta. É difícil lembrar como comecei minha coleção com os poucos recursos que tinha, mas lembro que ela era enorme dentro de uma pasta classificadora preta. Aos sábados, nos reuníamos no pátio de alguma casa das amigas para trocar. Os que tinham envelope na mesma estampa valiam mais, assim como os de desenhos que faziam sucesso à época (smurfs, moranguinho...). Eu adorava todos que tinha, mas um em especial me chamava a atenção: era azul, com desenhos de nuvens, com linhas além de inclinadas, irregulares; no canto esquerdo um anjo e no direito a frase título deste texto. Eu nunca perguntei a ninguém, mas na minha cabeça de menina ficava matutando o significado daquelas palavras. Como assim "Deus escreve certo por linhas tortas se elas estão tortas?" Não fui capaz de adivinhar. Hoje sei.
Sei que Deus não tira nada e nem ninguém de sua vida por acaso. Assim como não coloca. Ele te obriga a aprender com os caminhos que lhe permite traçar e com o destino aonde te faz chegar. Ele lhe permite viver momentos lindos ao lado de quem você ama, mas depois leva-os de você através da morte ou da distância, ou o inverso, faz você partir.
Quando nasci meu pai foi embora, já contei isso aqui, e talvez tenha sido assim que me acostumei às ausências, as partidas, as perdas. Tive uma vida bastante regrada e quando conseguia ter as coisas e depois as perdia eu não lamentava, afinal, fui acostumada ao não ter. Dessa forma meu subconsciente me mantém alerta e a maior carga dessa falta de lamento foi concentrada em duas formas humanas: amigos e amores.
Deus escreve certo por linhas tortas.
Hoje essa frase não saiu da minha cabeça.
Hoje talvez eu tenha perdido e por isso tenha ficado chateada. Hoje. Amanhã sei bem o que me reserva além da perda: a certeza das escolhas e a consciência das consequências dela. Hoje o filme ainda passa pela minha cabeça e ainda lembro de tudo o que fez rir. Amanhã, sem chorar eu esqueci, eu aceitei e sempre acreditei que esse mesmo Deus que escreve certo por linhas tortas é o mesmo que vai me mostrar que esse foi o melhor caminho.
Foi de um jeito torto, absurdo, desnecessário em que cada um se perdeu porque ninguém queria deixar de ganhar sem perder suas "razões" e colocar em linhas tortas com escritas erradas os motivos que só servem pra destruir o que pôde até então ter valido a pena. Haverá consequências onde poderia haver diálogo e entendimento. Os papéis de carta se perderam um dia e eu sequer lembro como eles foram se acabando. Nem mesmo o que eu mais amava foi preservado pelo tempo, esse senhor que dizem (e eu não acredito) tudo resolve. Eu também vou esquecer o que aconteceu hoje ainda que houvesse uma forma de amor. Talvez esqueça para perdoar, talvez para simplesmente esquecer.
Sei que Deus não tira nada e nem ninguém de sua vida por acaso. Assim como não coloca. Ele te obriga a aprender com os caminhos que lhe permite traçar e com o destino aonde te faz chegar. Ele lhe permite viver momentos lindos ao lado de quem você ama, mas depois leva-os de você através da morte ou da distância, ou o inverso, faz você partir.
Quando nasci meu pai foi embora, já contei isso aqui, e talvez tenha sido assim que me acostumei às ausências, as partidas, as perdas. Tive uma vida bastante regrada e quando conseguia ter as coisas e depois as perdia eu não lamentava, afinal, fui acostumada ao não ter. Dessa forma meu subconsciente me mantém alerta e a maior carga dessa falta de lamento foi concentrada em duas formas humanas: amigos e amores.
Deus escreve certo por linhas tortas.
Hoje essa frase não saiu da minha cabeça.
Hoje talvez eu tenha perdido e por isso tenha ficado chateada. Hoje. Amanhã sei bem o que me reserva além da perda: a certeza das escolhas e a consciência das consequências dela. Hoje o filme ainda passa pela minha cabeça e ainda lembro de tudo o que fez rir. Amanhã, sem chorar eu esqueci, eu aceitei e sempre acreditei que esse mesmo Deus que escreve certo por linhas tortas é o mesmo que vai me mostrar que esse foi o melhor caminho.
Foi de um jeito torto, absurdo, desnecessário em que cada um se perdeu porque ninguém queria deixar de ganhar sem perder suas "razões" e colocar em linhas tortas com escritas erradas os motivos que só servem pra destruir o que pôde até então ter valido a pena. Haverá consequências onde poderia haver diálogo e entendimento. Os papéis de carta se perderam um dia e eu sequer lembro como eles foram se acabando. Nem mesmo o que eu mais amava foi preservado pelo tempo, esse senhor que dizem (e eu não acredito) tudo resolve. Eu também vou esquecer o que aconteceu hoje ainda que houvesse uma forma de amor. Talvez esqueça para perdoar, talvez para simplesmente esquecer.
terça-feira, 10 de abril de 2012
Mania de Explicação
Era uma menina que gostava de inventar uma explicação para cada coisa.
Explicação é uma frase que se acha mais importante do que a palavra.
As pessoas até se irritavam, irritação é um alarme de carro que dispara bem no meio de seu peito, com aquela menina explicando o tempo todo o que a população inteira já sabia. Quando ela se dava conta, todo mundo tinha ido embora. Então ela ficava lá, explicando, sozinha.
Solidão é uma ilha com saudade de barco.
Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança pra acontecer de novo e não consegue.
Lembrança é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo.
Autorização é quando a coisa é tão importante que só dizer "eu deixo" é pouco.
Pouco é menos da metade.
Muito é quando os dedos da mão não são suficientes.
Desespero são dez milhões de fogareiros acesos dentro de sua cabeça.
Angústia é um nó muito apertado bem no meio do sossego.
Agonia é quando o maestro de você se perde completamente. Preocupação é uma cola que não deixa o que não aconteceu ainda sair de seu pensamento.
Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer mas acha que devia querer outra coisa.
Certeza é quando a idéia cansa de procurar e pára.
Intuição é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido.
Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista.
Renúncia é um não que não queria ser ele.
Sucesso é quando você faz o que sempre fez só que todo mundo percebe.
Vaidade é um espelho onisciente, onipotente e onipresente. Vergonha é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora.
Orgulho é uma guarita entre você e o da frente.
Ansiedade é quando faltam cinco minutos sempre para o que quer que seja.
Indiferença é quando os minutos não se interessam por nada especialmente.
Interesse é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento.
Sentimento é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado.
Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes.
Tristeza é uma mão gigante que aperta seu coração.
Alegria é um bloco de Carnaval que não liga se não é fevereiro.
Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma.
Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros.
Decepção é quando você risca em algo ou em alguém um xis preto ou vermelho.
Desilusão é quando anoitece em você contra a vontade do dia.
Culpa é quando você cisma que podia ter feito diferente, mas, geralmente, não podia.
Perdão é quando o Natal acontece em maio, por exemplo.
Desculpa é uma frase que pretende ser um beijo.
Excitação é quando os beijos estão desatinados pra sair de sua boca depressa.
Desatino é um desataque de prudência.
Prudência é um buraco de fechadura na porta do tempo.
Lucidez é um acesso de loucura ao contrário.
Razão é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato.
Emoção é um tango que ainda não foi feito.
Ainda é quando a vontade está no meio do caminho.
Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele.
Desejo é uma boca com sede.
Paixão é quando apesar da placa "perigo" o desejo vai e entra.
Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado. Não. Amor é um exagero... Também não. É um desadoro... Uma batelada? Um enxame, um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego? Talvez porque não tivesse sentido, talvez porque não houvesse explicação, esse negócio de amor ela não sabia explicar, a menina.
Adriana Falcão
Explicação é uma frase que se acha mais importante do que a palavra.
As pessoas até se irritavam, irritação é um alarme de carro que dispara bem no meio de seu peito, com aquela menina explicando o tempo todo o que a população inteira já sabia. Quando ela se dava conta, todo mundo tinha ido embora. Então ela ficava lá, explicando, sozinha.
Solidão é uma ilha com saudade de barco.
Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança pra acontecer de novo e não consegue.
Lembrança é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo.
Autorização é quando a coisa é tão importante que só dizer "eu deixo" é pouco.
Pouco é menos da metade.
Muito é quando os dedos da mão não são suficientes.
Desespero são dez milhões de fogareiros acesos dentro de sua cabeça.
Angústia é um nó muito apertado bem no meio do sossego.
Agonia é quando o maestro de você se perde completamente. Preocupação é uma cola que não deixa o que não aconteceu ainda sair de seu pensamento.
Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer mas acha que devia querer outra coisa.
Certeza é quando a idéia cansa de procurar e pára.
Intuição é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido.
Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista.
Renúncia é um não que não queria ser ele.
Sucesso é quando você faz o que sempre fez só que todo mundo percebe.
Vaidade é um espelho onisciente, onipotente e onipresente. Vergonha é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora.
Orgulho é uma guarita entre você e o da frente.
Ansiedade é quando faltam cinco minutos sempre para o que quer que seja.
Indiferença é quando os minutos não se interessam por nada especialmente.
Interesse é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento.
Sentimento é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado.
Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes.
Tristeza é uma mão gigante que aperta seu coração.
Alegria é um bloco de Carnaval que não liga se não é fevereiro.
Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma.
Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros.
Decepção é quando você risca em algo ou em alguém um xis preto ou vermelho.
Desilusão é quando anoitece em você contra a vontade do dia.
Culpa é quando você cisma que podia ter feito diferente, mas, geralmente, não podia.
Perdão é quando o Natal acontece em maio, por exemplo.
Desculpa é uma frase que pretende ser um beijo.
Excitação é quando os beijos estão desatinados pra sair de sua boca depressa.
Desatino é um desataque de prudência.
Prudência é um buraco de fechadura na porta do tempo.
Lucidez é um acesso de loucura ao contrário.
Razão é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato.
Emoção é um tango que ainda não foi feito.
Ainda é quando a vontade está no meio do caminho.
Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele.
Desejo é uma boca com sede.
Paixão é quando apesar da placa "perigo" o desejo vai e entra.
Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado. Não. Amor é um exagero... Também não. É um desadoro... Uma batelada? Um enxame, um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego? Talvez porque não tivesse sentido, talvez porque não houvesse explicação, esse negócio de amor ela não sabia explicar, a menina.
Adriana Falcão
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