quarta-feira, 30 de agosto de 2017

O fantasma do desemprego

Sim, é assustador! Ainda que eu seja solteira, sem filhos, casa própria, saúde, diploma na mão e carro no chão, é assustador!
Ele chegou em maio deste ano. E lá se vão quase 4 meses de letargia laboral. Logo que ocorreu, havia planos traçados em sociedade com uma amiga. Não deu certo! Por conta disso, eu perdi alguns prazos de envio de currículo na minha área: educação, na qual estou há pouco mais de 2 anos e que demorei 8 pra exercer.
No início foi um medo terrível e, à época, eu estava também desempregada quando a pergunta veio: "topa?". - Topo!
E fui! Mais com a cara do que com a coragem.
Deu certo? Deu! E muito! Sem falsa modéstia, eu fui elogiada por onde passei; fiz amigos de profissão e amigos alunos pra uma vida inteira. A profissão é linda, grandiosamente linda. Saber que você contribui pra formação de um cidadão faz teus esforços e noites mal dormidas corrigindo e elaborando provas valer à pena. Foi uma experiência única, que terminou no final de abril.
Organizada como me tornei (não era), guardei o suficiente pra manter as contas pagas por um tempo.
É aí que começa a minha confusão mental.
Será que quero continuar na educação? Até que não seria mal se o fator "sala de aula" não pesasse tanto. Vida de professor de ensino fundamental e médio é extremamente pesada. Como gosto de trabalhar com redação e sou uma profissional "enjoada", que quer que seus alunos saibam utilizar nossa língua e nosso léxico, as vezes trabalho dobrado, porque não me conformo com uma aula medíocre, um material meia boca, uma aula chata, eu sempre trabalho muito e ficava até altas madrugadas corrigindo com atenção e vagar as produções dos meus alunos.
Tive turma composta por somente alunos especiais e outras por 25 crianças em idade entre 5 e 7 anos. Foi muuuito cansativo e muito engrandecedor.
Enfim, depois disso começou minha desordem mental conforme o período de desemprego ia passando: tentei estudar pra o mestrado. Enfiei a cara em livros, comecei a produzir e depois desanimei. Enviei currículo pra um mone de sites de emprego, tanto na área administrativa quanto na educacional. Comecei a fazer freela como revisora textual. Fui à reunião da Hynode. Pensei em Vender Eudora. Pendei em trabalhar como maquiagem, que adoro e sei fazer, mas vi que precisaria investir em produtos para tons de pele variados e isso não era garantia de retorno.
Nesse tempo, caiu em conta minha restituição do importo de renda e eu ficava em casa pensando no que fazer com esse dinheiro que pudesse ser multiplicado. Será que investir em algo que eu pudesse vender me daria retorno?? Mas daí lembrei que todo mundo tá numa situação financeira complicada nesse país e eu fiquei com medo do calote.
Difícil, né?
A única coisa que não fiz, foi sair desesperada pedindo ajuda, como já tinha feito uma vez. Porque descobri que o que mais se ouve é o "Tá, qualquer coisa eu te aviso". Gente do céu, nunca pensei que fosse tão constrangedor ouvir essa frase. Resiliente, coloquei em automático o "Tudo bem, ninguém tem obrigação de me ajudar".
Acontece que percebi que, quando se trata de emprego, parece que as pessoas não tem coragem de te indicar. Talvez tenham medo de tu fazeres uma merda e elas serem responsabilizadas pela tua incompetência ou sei lá o que. Daí um monte de coisas rondam tua cabeça. Até mesmo o "Devo ser uma profissional medíocre".
É tenso.
É um período de impotência terrível, porque isso mexe um pouco com a tua dignidade, mesmo sabendo que há um monte de gente na mesma situação. A gente reza, pede forças pra Deus, mas no fundo tem vergonha de por a cara na rua, de ser julgada ou de acabar dependendo dos outros (graças a Deus ainda não cheguei nesse nível e não pretendo) pra ter o mínimo.
É isso. Graças ao tempo disponível eu resgatei esse blog, pois tenho uma necessidade enorme de colocar pra fora as angústias. Porém, apesar de ter grandes e bons amigos, sei o que cada um vai dizer, aconselhar...e meu espírito não tá preparado pra ouvir as mesmas coisas porque a paciência e a simpatia andam dando sinais de cansaço.

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Olha Clau...